Estudiosos alertam para problemas que Brasília pode enfrentar daqui a 50 anos

Estudo realizado por professores da UnB e da PUC-RJ alerta para o risco de aumento da desigualdade social, do desemprego e de haver uma superpopulação no DF, caso não ocorra uma revisão das políticas públicas

Juliana Boechat

Publicação: 02/07/2010 07:53

Está na hora de pensar nos próximos 50 anos de Brasília. A cidade do futuro depende das ações postas em prática hoje pelos governantes e pela população. Um grupo de especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) elaborou o planejamento estratégico do Distrito Federal e Entorno batizado de Projeto Bsb 100. No documento de 155 páginas, os estudiosos elencaram os principais problemas enfrentados pelo brasiliense. Alertaram que, se nenhuma providência for tomada no futuro próximo, Brasília sofrerá ainda mais com a desigualdade social, superpopulação e desemprego quando estiver prestes a completar 100 anos. O estudo, previsto para ficar pronto no fim do ano, poderá servir de base teórica para as mudanças nas políticas públicas e o desenvolvimento responsável da capital federal.

Segundo a previsão do coordenador do projeto e diretor-geral do Laboratório de Estudos Avançados da PUC-RJ, Tadao Takahashi, a tendência é que grande parte da população tenha mais de 80 anos em 2060. “O que essas pessoas estarão fazendo? Como será o sistema de saúde e de previdência nessa época?”, indagou. “Essas questões devem ser planejadas a partir de hoje”, recomendou.

Entre as principais preocupações para os próximos 50 anos estão a desigualdade social, as condições de trabalho e a geração de renda da população. “O Entorno vai sufocar Brasília”, aposta o engenheiro. Cerca de 90% dos empregos estão no Plano Piloto, e 71% das pessoas moram nas outras cidades. Não só os empregos estão deslocados, mas faltam oportunidades nas cidades-satélites. O emprego deve surgir perto de casa. Hoje, vemos uma juventude esquizofrênica, que não trabalha e não vai à escola”, disse Takahashi.

Cerrado
O cuidado com o meio ambiente e a manutenção das características urbanísticas de Brasília também preocupam os especialistas. Segundo o coordenador do projeto, o cerrado é o bioma que mais sofre com a ação humana. “Um dos principais sinais desse descuido é o lixão a céu aberto que vemos no DF. Em países europeus, por exemplo, essa realidade não existe mais”, comparou. Ele defendeu ainda a revisão do projeto urbanístico de Brasília para possibilitar a implementação de sistemas de transporte público como o metrô, trens elétricos ou ciclovias. “As mudanças têm de surgir a partir de agora. O caminho é longo e esse tipo de transformação não se faz de uma hora para outra”, alertou Takahashi.

O economista e especialista em estudos do futuro da UnB, que também participou da elaboração do projeto, Marcos Formiga, destaca a preocupação com a explosão demográfica do Entorno. “O quadrilátero que definia o Distrito Federal foi totalmente ultrapassado. A linha imaginária não funciona mais como uma delimitação de fronteira”, explicou. Ele acredita que a aproximação das cidades formará um grande conglomerado que unirá Brasília a Goiânia, capital de Goiás. “Pressões demográficas criam desemprego, incrementam a desigualdade social, aumentam a violência e sobrecarregam o sistema de saúde. Não cuidamos de Brasília nos primeiros 50 anos e temos que cuidar agora. Estamos preocupados com o futuro da capital federal. E tudo isso tem solução”, disse Formiga.

Os especialistas defendem a implantação de medidas drásticas para construir um futuro melhor da capital, mas não especificam quais seriam elas. Para Takahashi, a iniciativa deve ser dividida em etapas. A primeira é olhar para 2060 e definir quais as tendências e o que a população espera do futuro. E, então, traçar quais atitudes deverão ser adotadas hoje para se alcançar os resultados esperados. “A urgência é absoluta”, afirmou.

"As mudanças têm de surgir a partir de agora. O caminho é longo e esse tipo de transformação não se faz de uma hora para outra"
Tadao Takahashi, diretor-geral do Laboratório de Estudos Avançados da PUC-RJ

Preocupações

Social
Cerca de 90% dos empregos estão no Plano Piloto, enquanto 71% das pessoas moram nas regiões administrativas.

Ambiental
O cerrado é o bioma mais agredido no Brasil. O causador desses prejuízos é o homem.

Trabalho e renda
Os empregos estão deslocados e em falta nas regiões administrativas.

Tombamento
Os cruzamentos da cidade, por exemplo, têm de ser revistos para a inclusão de ciclovias no sistema de transporte de Brasília. Ou ainda para implantar trens elétricos ou metrô para o transporte em massa.

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