Dilma não foi generosamente imprecisa apenas com a história de Lula. Ao tratar do próprio passado – e fez questão de trazê-lo mais uma vez ao debate -, agrediu os fatos:

Reinaldo Azevedo

“Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores.”

Ninguém mais aponta? Tudo bem, aponto-o eu. Estou aqui para isto mesmo: para que a verdade seja tratada como verdade, e a mentira, como mentira. A presidente faz alusão à sua adesão à luta armada. Nem descarto que os então terroristas acreditassem que aquele era o caminho da “justiça” – de uma bastarda noção de justiça… Mas de democracia, não! Nunca! Nem eles! É uma inverdade histórica e conceitual afirmar que alguém aderiu, alguma vez, a um partido de extrema esquerda para construir um país democrático. Já fui trotskista. Nem eu nem outro esquerdista qualquer queríamos democracia à época. Queríamos socialismo e acreditávamos que a democracia era uma trapaça burguesa. Era no que Dilma acreditava também. Esses são os fatos.

Os que “tombaram” na luta não poderiam compartilhar a alegria desse momento coisa nenhuma! A menos que tivessem mudado de posição. Pensando o que pensavam à época, tenderiam a considerá-la uma trânsfuga. Dilma dizer que não “se arrepende” toca em franjas delicadas. Os movimentos a que ela pertenceu mataram inocentes. Melhor faria se deixasse o passado no passado. Quanto a não ter “ressentimento ou rancor”, aí vamos ver. Permitirá, como fez Lula, que seus ministros da Justiça e dos Direitos Humanos tentem fazer a história andar para trás para rever a Lei da Anistia, por exemplo? As suas ações dirão mais do que essa retórica tão cheia de imprecisões factuais.

“Que importância tem isso no presente?” Pois é… Em seu último ato, o Babalorixá de Banânia decidiu que o terrorista Cesare Battisti não será extraditado para a Itália. O assassino só está no Brasil porque o então ministro da Justiça, Tarso Genro, resolveu “honrar” a sua (de Battisti) luta, entendendo que ele estava num confronto de caráter político e que foi vítima do estado discricionário italiano. E a Itália que o condenou era uma democracia – a mesma democracia para a qual esquerdistas, em regra, dão de ombros. Viram como essas afinidades acabam fazendo diferença? De Battisti, reitero este ponto, nem se pode dizer que praticasse atos de violência contra uma ditadura. Battisti matou na sua determinada luta contra a… democracia!

Como vêem, amiguinhos, mesmo nessas minhas estranhas férias, assunto não me falta – e não creio que me faltará. Dêem-me uma conexão, e eu movimentarei a Internet, sempre dedicado a atribuir às pessoas não mais do que aquilo que fizeram, chamando a verdade de “verdade” e a mentira de “mentira”.

Por Reinaldo Azevedo

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