A imprensa e as competências

A imprensa e as competências

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Por Nelson Blecher

Domingos Bulus, presidente da White Martins (à dir.)com o editor-executivo Alexandre Teixeira: dois meses de pesquisas e entrevistas em busca das novas competências

No momento em que a principal discussão sobre o futuro da imprensa gira em torno da miríade de plataformas digitais, vem da França um libelo pela independência do jornalismo e seu papel decisivo na construção de sociedades e economias modernas. “A inovação e a economia do conhecimento, que serão os motores do crescimento do século 21, requerem um Estado moderno”, inicia o manifesto, subscrito por 21 economistas, entre eles o Nobel Edmund Phelps. “Ora, sem mídias livres não há um Estado moderno.” O alerta foi motivado pela declarada preocupação desses intelectuais com os rumos de uma das mais respeitadas instituições jornalísticas do universo, o jornal Le Monde. Vergado por dívidas, fragilizado pela crise econômica, o diário fundado por Hubert Beuve-Méry no pós-guerra tem seu controle acionário disputado hoje por dois consórcios. O objetivo do manifesto é assegurar que o projeto de recapitalização do jornal seja feito sem interferências no trabalho da Redação. Mais adiante, os signatários evocam estudos econômicos recentes que associam a existência de pluralismo de informação a menor grau de corrupção da classe política e políticas públicas mais eficazes e inovadoras. Democracia e modernidade econômica, portanto, andam lado a lado. Também compartilhamos essa visão, na certeza de que a plena liberdade de imprensa, sem interferência de qualquer ordem, contribui decisivamente para a modernização das empresas e do país nesta fascinante era do conhecimento.

A reportagem de capa desta edição, que ocupa 28 páginas, tem como tema uma extraordinária transformação cultural que desafia líderes corporativos em todo o mundo. Trata-se das novas competências necessárias para lidar com a crescente complexidade do mundo dos negócios. Para escrever uma reportagem em profundidade, o editor-executivo Alexandre Teixeira passou os últimos dois meses pesquisando 11 estudos internacionais elaborados por alguns dos principais centros de irradiação de inteligência corporativa. Nesse período, entrevistou 18 fontes, entre consultores, acadêmicos e presidentes de empresas. “As barreiras entre as áreas das empresas estão desaparecendo porque os altos executivos são cada vez mais generalistas e trabalham mais próximos das áreas de negócios”, diz Teixeira. “A ideia do especialista em finanças que só trabalha para o departamento financeiro, ou do marqueteiro para o marketing, está acabando.”

Isto significa que a competência técnica deixou de ser um diferencial para se tornar pré-requisito. O que realmente diferencia os líderes nestes tempos é a qualidade do pensamento estratégico e a excelência na gestão de pessoas.

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