Por uma logística mais eficiente Por uma logística mais eficiente artigo_home O fornecimento e a distribuição de produtos é um problema recorrente na logística brasileira, seja pela economia aquecida ou pelo aumento do consumo no Brasil. Por conta desta pressão na cadeia de abastecimento, existe a necessidade de uma logística que funcione e garanta fornecimento e distribuição de produtos dos mais diversos segmentos. No entanto, o país enfrenta, ainda, grandes problemas de infraestrutura. “Nós temos uma demanda aquecida e infraestrutura inadequada porque dependemos demais da matriz rodoviária, que é mal conservada”, ressalta João Guilherme Araújo, diretor de desenvolvimento de negócios do ILOS – Instituto de Logística e Supply Chain. Araújo explica que a infraestrutura periférica no Brasil, como as áreas de armazenagem ou portuárias, por exemplo, ainda é muito carente. “Hoje o investimento em profissionalização de todos os envolvidos na cadeia de abastecimento vem melhorando. Há uma consolidação e um ganho de importância para os clientes, mas as empresas sofrem com os mesmos desafios de falta de condições de anos atrás”, afirma. Problemas como dependência constante das rodovias, condições inadequadas de armazenagem, poucas opções de malhas ferroviárias e hidroviárias geram uma necessidade urgente de soluções de inovação. Araújo acredita que um passo importante para avançar nesse quesito e que já ocorreu no Brasil é o processo de colaboração entre as cadeias. “Algumas indústrias se aproximam dos varejistas para fazer circuitos integrados de transporte, além de compartilhar informações de estoque”, exemplifica. Ainda é preciso muito empenho para mudar o conceito de logística no Brasil e isso depende de alguns marcos regulatórios do governo, segundo o especialista. Para expandir o modal ferroviário, por exemplo, Araújo acredita que seja necessário alterar as formas de concessão. “Hoje existe uma empresa responsável pelo trilho e outra pela máquina. Isso dificulta o controle do nível do serviço oferecido”, explica. Atualmente, 60 e 65% do transporte de produtos no Brasil é rodoviário. Isso ocorre porque este tipo de modal é mais flexível. Os outros precisariam de mais planejamento. Araújo acrescenta ainda que a tendência é melhorar as alternativas ao transporte rodoviário, mas isso não depende só da iniciativa privada. “O discurso é positivo porque existe a expectativa de que o governo e as empresas estejam se ajustando e trabalhem juntos para efetivar outras opções”. O que é preciso ter em mente, segundo Araújo, é que só os custos podem ser diferenciados porque o produto em si não vai mudar. É o que ocorre com as commodities, por exemplo. “A diferença está em quem oferece melhor infraestrutura para reduzir o custo na chegada do cliente final”. O diretor explica que hoje já existem mais opções de tecnologia pra ganhar eficiência na gestão logística para o transporte, tais como centrais de monitoramento, rotas, rastreamento e gestão de risco. “A aplicação é que ainda está um pouco lenta e há subutilização de tecnologias. Ao olharmos para o exterior, não há nada lá fora que não tenhamos aqui”. Para Araújo a diferença aqui é a pouca oferta de centros de desenvolvimento contínuo. A estabilidade é algo recente e só agora as empresas estão começando a pensar no longo prazo. Ecoeficiência Um ponto que tem contribuído para a evolução do cenário da logística no Brasil é a preocupação com a responsabilidade social e ambiental. Os projetos de malha logística já são pensados com variáveis de custo de serviços que incluem a emissão de gás-carbônico (CO²), por exemplo. “Hoje também se planeja mais quantos centros são necessários para distribuir o produto, de acordo com a região, e minimizar os deslocamentos, com o objetivo de poluir menos”, ressalta Araújo. A prática da ecoeficiência dentro da logísitica tem ganhado muita força. Araújo cita empresas como Natura, Pão de Açúcar e Walmart como exemplos pioneiros dessa prática. “Centros verdes de distribuição, que levam em consideração a luz ambiente e com isso evitam a deteriorização dos produtos já são uma prática recorrente no ciclo de distribuição dessas empresas”. O diretor de inovação logística da Natura, Angel Medeiros, explica que quando um processo de logística é apresentado na empresa, já tem que considerar três enfoques: econômico, social e ambiental. “Se não houver benefícios nesses três pontos, o projeto não é aprovado”. Em todo produto novo é preciso buscar essas três vantagens e isso passa por questões como gramatura da embalagem, matéria-prima reciclada, além da renovação dos frutos e folhas da natureza brasileira. “O objetivo é que tudo seja renovável e que não se destrua o planeta. Com base nesse conceito de preservação também se pensa na logística”, destaca. No final do ano passado, a Natura anunciou o seu novo modelo de produção logística que traçou os contornos do que a empresa pretende se tornar nos próximos 10 anos: uma marca de expressão mundial identificada com a comunidade das pessoas que se comprometem com a construção de um mundo melhor. As mudanças visaram o aperfeiçoamento do serviço prestado às consultoras, redução do impacto ambiental e modificações na relação com os fornecedores. Isso melhora o nível do serviço, faz com que seja mais econômico, otimiza as entregas e reduz a emissão de gás-carbônico. Com esta nova rede estruturada, o objetivo é diminuir a emissão relativa de CO² em 25% na cadeia de fornecimento e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade das entregas. Medeiros destaca também a importância da logística reversa que funciona há uns 5 anos, de forma tímida ainda, mas com constante preparo para se adequar à legislação brasileira que está ficando mais criteriosa. Todo o transporte da Natura é terceirizado, mas isso não dificulta o compromisso com essas questões. Medeiros explica que todos os fornecedores são avaliados para se adequarem e têm esse comprometimento. Quanto mais engajados, melhor a sua pontuação como fornecedores junto à empresa, o que acaba se tornando uma vantagem competitiva. “Criamos uma cultura socioambiental entre a empresa e nossos fornecedores porque somos formadores de opinião para eles”, destaca. Entre outras iniciativas para uma logística ecoeficiente, a empresa também incentiva o uso de combustíveis verdes, criou um polo de armazenamento no Nordeste para abastecer os centros de distribuição da região com um custo menor de deslocamento, investiu em embalagens mais leves e caixas que ocupam menos espaços, além de sugerir o uso de materiais para cobrir os caminhões que gerem menos resíduos. Medeiros explica que todos os fornecedores responsáveis pelo transporte são orientados a compensar qualquer tipo de estrago que façam ao meio ambiente. “Percebemos que essa orientação aumenta a competitividade para o bem e eles se preocupam se economizam energia, se produzem menos calor e qualquer outro tipo de impacto”, afirma. A solução para que a ecoeficiência seja uma diretriz em logística, de acordo com Medeiros, é incentivar um movimento maior, com várias cooperativas e associações empenhadas em disseminar essa cultura. “O Brasil tem um estilo provocador, o que pode nos levar à frente disso. A ideia é compensar tudo, dentro do possível, que se gasta ou que se destrói em nome do desenvolvimento”, conclui Medeiros.

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