Brasilienses têm gastos semelhantes aos de moradores de países ricos. Além disso, os brasilienses são os que mais desembolsam com saúde, educação e despesas pessoais

Brasilienses têm gastos semelhantes aos de moradores de países ricosGastos com carro, ônibus, comida, bebida e moradia consomem mais da metade do orçamento das famílias do DF. Além disso, os brasilienses são os que mais desembolsam com saúde, educação e despesas pessoais

Diego Amorim

Publicação: 09/10/2011 12:00Atualização: 09/10/2011 16:33

Os gastos com transporte, alimentação e habitação consomem mais da metade (53,4%) do orçamento das famílias brasilienses. Ao contrário da média nacional, em que as despesas com comidas e bebidas são as mais salgadas, aqui o que mais pesa no bolso são os custos com combustíveis, manutenção de veículos e ônibus. De acordo com especialistas, o perfil de gastos do brasiliense assemelha-se ao de países de primeiro mundo e com renda bastante elevada.

Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Correio elencou o peso de cada um dos nove grupos de gastos pesquisados nas contas do brasiliense. Os dados mostram ainda que o morador da capital federal é o que mais compromete o salário com saúde, educação e despesas pessoais, na comparação com outras 10 regiões metropolitanas analisadas pelo IBGE.

Estimativa feita pelo presidente do Instituto Brasiliense de Estudos da Economia Regional (Ibrase), o economista Júlio Miragaya, indica uma renda familiar média no Distrito Federal de R$ 4,5 mil. “É simples assim: a renda é a principal responsável pelo elevado custo de vida em Brasília”, explica. Assim, quem não integra a privilegiada elite brasiliense tem de dar um jeito de acompanhar a escalada dos preços. “A grande parcela da população acaba ‘pagando o pato’ por viver em uma localidade cujos preços são pressionados pela alta renda”, completa o economista.

Camila Tavares tem dois celulares: “Não consigo ficar sem eles”

Números do Censo 2010 reforçam o estigma de Brasília como “ilha da fantasia”, um paraíso para os setores de comércio e serviços. A cidade onde uma quitinete vale meio milhão de reais — e é vendida com facilidade —, onde chega-se a gastar R$ 8 mil em uma balada e onde supermercados e concessionárias comemoram recordes de venda abriga uma população com rendimentos bem acima da média nacional. Em 19% dos domicílios, a renda familiar ultrapassa cinco salários mínimos (R$ 2.725): o maior percentual entre as unidades da Federação e quatro vezes superior à média do país.

Para o supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no DF, Clóvis Scherer, é perceptível que a alta renda dos moradores influencia, por exemplo, o mercado imobiliário. “Os preços são supervalorizados em função da classe mais alta, cuja demanda por bens de valor elevado acaba determinando a taxa de aluguel”, afirma. O peso do transporte no orçamento também se explica, na avaliação de Scherer, pelos salários dos brasilienses. “É natural que uma população com perfil de renda mais alta opte pelo carro”, completa.

E EU COM ISSO?

Saber exatamente quanto gastamos com cada tipo de despesa é o primeiro passo para planejar o orçamento mensal. A radiografia serve para separar os gastos essenciais dos supérfluos. A partir daí, é possível elencar despesas desnecessárias que possam ser reduzidas ou até cortadas. Além disso, esse planejamento possibilita ao consumidor gastar com mais eficácia e até mesmo conseguir guardar algum dinheiro para poupar ou investir em um segundo imóvel, por exemplo.

Planejamento e poupança
Para suportar o padrão de vida imposto em Brasília, especialistas sugerem às famílias vigilância em relação a duas regras básicas: poupar e planejar. Os que não se encaixam no grupo dos mais ricos, mesmo tendo de arcar com os preços cobrados a eles, precisam de disciplina. “A principal forma de conseguir honrar com as contas e trabalhar no positivo é ter a capacidade de adiar o consumo não considerado essencial: é o que chamamos de poupança”, afirma Luciano Miranda, sócio-proprietário da AçãoDall’Oca Investimentos, corretora representante do Citigroup no DF.

Quando se guarda dinheiro e o investe em ações, imóveis ou qualquer outra coisa, acredita Miranda, melhoram as chances de sobreviver aos custos de Brasília. “As pessoas confundem ‘precisar’ com ‘desejar’. O carro novo, a roupa melhor ou a viagem ao exterior muitas vezes são desejos, não necessidades. É pensando assim que se definem prioridades”, emenda o outro sócio-proprietário, Bruno Dall’Oca. Uma dica é também colocar sempre no papel as receitas e as despesas da casa. “É preciso saber para onde está indo cada parcela do dinheiro que entra”, reforça a assessora de investimentos Rayssa Vieira.


Alimentação e bebidas
No supermercado, o maior gasto do país

Para manter geladeira e despensa cheias, o brasiliense se vira como pode. Pais de família não cogitam a possibilidade de cortar gastos com alimentação. “Você pode até comprar um iogurte ao invés de dois. Mas não dá para cortar arroz e feijão”, diz o empresário Fabiano Venâncio, 36 anos, casado e pai de um filho. Duas vezes por semana, ele enche o carrinho. Ao fim do mês, contabiliza, por baixo, R$ 800 em compras. Pesam mais no bolso a carne e as frutas.

Nos supermercados de Brasília, gasta-se mais do que em qualquer outro lugar do país. O segmento fatura por ano, em média, R$ 4,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). É como se cada brasiliense torrasse quase R$ 1,8 mil em 12 meses, o maior tíquete médio do Brasil (R$ 150 por mês). Brasília também lidera o ranking de preços cobrados nas prateleiras de hipermercados e lojas de conveniência e em mercados virtuais. Levantamento da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor feito em 14 unidades da Federação mostrou que uma cesta com 104 produtos líderes de venda tem o custo mais caro do país na capital federal.

Fabiano tem o privilégio de almoçar em casa, no Lago Sul. Assim, economiza com self-service. Quem, diferente dele, come fora da residência desembolsa, no mínimo, R$ 10 por dia. Estabelecimentos melhores oferecem pratos executivos de R$ 20 a R$ 40. As refeições de negócio envolvem contas mais altas. Duas pessoas chegam a gastar R$ 12 mil em restaurantes requintados de Brasília, incluindo vinhos dos mais caros da adega, além de couvert, prato principal, sobremesa, cafezinho e gorjetas. Os gastos com pão e leite, diários e quase obrigatórios, ajudam a compor a lista de despesas com alimentação. No DF, o quilo do pãozinho francês varia de R$ 4,90 a R$ 9, uma diferença de 83,6%.

Habitação
30% vivem do salgado aluguel

O aluguel joga para cima o custo da habitação em Brasília e angustia quem depende dele. É por causa do peso da moradia no orçamento que a advogada Juliana Carolina Gonçalves, 23 anos, planeja passar em concurso público e se mudar da cidade. “Só sei que aqui não vou ficar. Não tem condições. Esses preços são fora da realidade”, afirma ela, que mora em uma quitinete de 42 metros quadrados no Sudoeste, em condomínio sem área de lazer.

Enquanto não vira servidora, Juliana agradece aos céus por pagar “apenas” R$ 500 de aluguel, e não R$ 900 — a média cobrada no mesmo prédio. Motivo do desconto: a dona do imóvel é amiga da sua mãe. “Mesmo assim, acho um absurdo. Moro num cubículo”, pondera a carioca, que chegou a Brasília em 2005 para estudar. Ela só não optou por se instalar em locais onde o aluguel custa menos porque trabalha em um escritório no Plano Piloto e levou em conta os gastos com transporte.

E o valor do aluguel e dos imóveis tendem a continuar subindo. Nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), usado como base para a taxa paga pelos inquilinos, acumulou alta de 7,46%. O preço do metro quadrado de venda subiu, no mesmo período, 21,2% e, em empreendimentos às margens do Lago Paranoá, beira os R$ 17 mil.

O alto preço dos imóveis assusta e empurra a população para o aluguel. Radiografia feita com base em números do Censo 2010, do IBGE, indica que o DF possui a menor proporção de moradores com imóvel próprio: 59%, contra uma média nacional de 70%. Enquanto aqui 30% dos domicílios são alugados, nos outros estados essa média não passa de 18%.

Artigos de residência
Entre o necessário e o supérfluo

A geladeira ficou pequena e a técnica em enfermagem Celita dos Santos, 47 anos, saiu em busca de um freezer, “dos mais baratinhos”, para ajudar a armazenar os condimentos da casa onde mora com o marido e a filha Jackelyne, 17, em Sobradinho. O Correio a encontrou no terceiro dia de procura pelo preço mais barato. Ela pretendia gastar, no máximo, R$ 900, mas não encontrava opção mais barata que R$ 1,3 mil. “Vou continuar. Sou ‘chorona’. Não gosto de pagar juros”, disse.

Celita não deve a ninguém e ensina a filha como cuidar do dinheiro. Para deixar o lar mais bonito, separa parte do salário todo mês e junta com o dinheiro da caixinha do trabalho no fim do ano. É com essa economia que ela vai dar entrada no freezer. O restante, não vai parcelar em mais de seis vezes. “Tem que fazer sacrifício. Só troco alguma coisa em casa se tiver precisando mesmo e se houver dinheiro para reduzir os juros”, explica ela, casada há 20 anos com um agente de portaria.

De olho em bons pagadores como Celita, magazines locais e nacionais se proliferam pelas cidades do DF. Em quase todas as regiões administrativas, há um centro comercial onde se aglomeram as principais delas. Gastos com eletroeletrônicos, eletrodomésticos e artigos de cama, mesa e banho consomem parte do orçamento das famílias. Soma-se a esse grupo de despesas a compra de móveis e utensílios. Em Brasília, há dois shoppings somente com lojas voltadas para esses segmento.

Vestuário
Quando a roupa pesa

Apesar do chororô de sempre dos comerciantes, as sacolas cheias nos corredores de shoppings e em lojas de rua ilustram o consumismo em Brasília. O brasiliense, mesmo viajando muito ao exterior e fazendo a festa nos outlets norte-americanos, despende boa parte do orçamento para se vestir (7,28%). Na última quarta-feira, o corretor de imóveis Carlos Henrique Nobre, 39 anos, entrou em uma loja de roupa masculina para comprar duas ou três camisas. Levou 12, para si e para o filho Pedro Henrique, de 15 anos.

Morador da Asa Norte, Nobre costuma ficar de olho no preço das vitrines, mas não espera promoção para comprar. Sabe onde pode encontrar peças mais em conta e, assim, segue uma regra: “Se a camisa fica surrada, tem que trocar”, justifica. A renda familiar da família varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Com as últimas camisas, gastou R$ 500. “O gasto com roupas não é programado. É quase em ‘conta-gotas’. Mas se colocar no papel, pesa bastante”, completa.

Donos de lojas explicam que os impostos e os encargos influenciam e muito no valor final de roupas e calçados: cerca de 40% do preço da etiqueta, em média. Em Brasília, acrescenta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF, Antônio Augusto de Moraes, o elevado preço de aluguéis e taxas cobradas pelos shoppings contribuem ainda mais para encarecer os produtos de vestuário.

Transportes
O mais caro deslocamento do país

Longas distâncias, transporte público ineficiente e combustível caro obrigam o brasiliense a torrar quase 20% do orçamento para se locomover. O cozinheiro Valmir Oliveira, 30 anos, mora em Planaltina e trabalha em dois restaurantes no Plano Piloto. Percorre de 70km a 100km por dia de carro. Dispensou o ônibus porque volta para casa de madrugada e cansou de esperar na parada. Do salário mensal de R$ 1,2 mil, cerca de R$ 460 vão para o combustível.

De três em três meses, Oliveira gasta ainda R$ 300 com pequenas manutenções do veículo. “Ando direitinho para evitar problemas e mais gastos”, conta. “É muito difícil, mas sem carro não consigo trabalhar”, constata. Se fizesse os mesmos trajetos de ônibus, o cozinheiro gastaria quase R$ 200 por mês. Os brasilienses são os que mais gastam para encher o tanque, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A frota do DF chegou a 1,3 milhão de veículos. Até agosto, segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do DF, 76 mil carros ganharam as ruas, salto de 1,15% em relação ao mesmo período de 2010. Gastos com passagens aéreas também contribuem para que a maior parcela do salário do brasiliense tenha como destino o grupo de transportes. Os moradores da capital só não viajam mais ao exterior do que os paulistas. A Infraero registrou, em 2010, 84.319 embarques internacionais no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Em 2011, até agosto, esse número era de 97.216. Os embarques domésticos contabilizavam 2.967.631 passageiros — em 2010, foram 4.212.335.

Despesas pessoais
O lado irritante da diversão e do conforto

As despesas pessoais podem até ser consideradas supérfluas, mas o brasiliense não abre mão delas. A cada R$ 100 de seu orçamento, ele torra R$ 11,50 com esse tipo de gasto. Duas vezes por semana, o servidor público Daniel Gomes, 34 anos, vai ao cinema. Incluindo o lanche e a pipoca durante o filme, gasta cerca de R$ 200 por mês pela diversão. O total seria ainda maior se ele também não fosse estudante e escolhesse o fim de semana para curtir as atrações da telona. “A gente não sente tanto, mas faz cócegas no bolso, sim”, comenta.

Sem incomodar tanto, o lazer consome o salário das famílias brasilienses. Um bilhete de cinema vale até R$ 47 na sala vip de um shopping da cidade. Destacam-se ainda nesse grupo de despesas as idas aos salões de beleza e o salário de empregados domésticos. Também aparece na lista gastos com motel, cujos preços subiram 12,36% no último ano — o maior aumento entre as sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Quatro horas em suíte de luxo podem custar R$ 589,60.

Educação
Gasto alto, mas imprescindível

Os pais suam cada vez mais a camisa para manter os filhos em escola particular. Mensalidades que ultrapassam os R$ 1,5 mil e são reajustadas todo ano com percentuais bem acima da inflação fazem o orçamento das famílias sentirem o peso financeiro da educação. Para 2012, o aumento médio aplicado pelos colégios será de 12,5%. O salto acumulado nos últimos cinco anos já chega a 73%. Mesmo os 8,29% gastos com o ensino serem inferiores aos 11,5% aplicados nas despesas pessoais, este é um gasto do qual é quase impossível abrir mão.

Na casa da professora Sara Senna, 46 anos, a escola dos filhos come 15% da renda familiar, quase o dobro da proporção média observada no DF. O filho mais velho passou na UnB, mas os dois mais novos ainda estudam em uma das escolas mais caras da cidade. Além das mensalidades de R$ 1 mil, Sara desembolsa, por mês, cerca de R$ 2,1 mil com aulas particulares. “É caro, mas o investimento vale a pena”, avalia.

Alongam a lista de despesas de olho no futuro dos filhos as compras em papelarias e livrarias. Materiais exigidos pelas escolas no início do ano, incluindo o uniforme, não saem por menos que R$ 500. Este ano, as editoras subiram o preço dos livros em até 13%. Cursos de idioma, informática, pós-graduação, autoescola, práticas esportivas e academia de ginástica também compõem as despesas do brasiliense com educação.

Comunicação
Falar também custa

Se surge algum tempo livre no dia de Camila Tavares, 30 anos, ela o preenche ao celular. São dois aparelhos, sempre em mãos, para falar com o namorado, as amigas, a família, os colegas de trabalho e os clientes. Muitas vezes, conta ela, liga por ligar, somente para passar o tempo. “Não consigo viver sem eles (os telefones)”, confessa a coordenadora de equipe de uma seguradora de veículos. Em casa, também abusa do aparelho fixo.
Os R$ 200 de crédito do celular corporativo costumam não ser suficientes. Com o celular pessoal, Camila gasta pelo menos R$ 800 por mês, valor que ela não considera alto. “Pelo tanto que falo, não acho caro. Toda hora estou com o celular na orelha ou mandando mensagem”, diz. Aos fins de semana, o uso é ainda mais frequente. Por telefone, Camila desabafa, ouve desabafos e combina as baladas. “São gastos que, no meu caso, não dá para cortar.”

Levantamento mais recente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), divulgado no mês passado, confirmou o Distrito Federal como unidade da Federação com o maior número de celulares por habitante: 1,96, contra uma média nacional de 1,14. No ano passado, o DF liderou também o ranking de residências com tevê por assinatura. Um quarto dos domicílios da capital do país possui o serviço de canais fechados, despesa incluída no grupo comunicação.

Saúde e cuidados pessoais
O peso dos planos e dos remédios

Adoecer custa caro. Mas ninguém pensa duas vezes quando é preciso gastar com saúde. O economista Hilton Vieira, 60 anos, reclama, mas não tem alternativa. A cada 15 dias, vai à Rua das Farmácias, nas quadras 102/302 Sul, e enche a sacola com oito medicamentos diferentes para a mãe, de 86 anos. São quase R$ 450 por mês com remédios de uso contínuo, mais R$ 4 mil do plano de saúde dela. “É muito dinheiro, mas vou fazer o quê?”

O mercado farmacêutico brasiliense nunca esteve tão aquecido. As vendas nas cerca de 1 mil farmácias do DF entre setembro de 2010 e agosto deste ano somaram R$ 1,041 bilhão, o maior faturamento em 11 meses. Foram mais de 30 milhões de remédios vendidos no período. No ano passado, a Brazil Pharma, holding do Banco BTG Pactual, selou o casamento com a rede da cidade Rosário Distrital. A paulista Drogasil comprou pontos comerciais da Santa Marta.

Apesar das constantes queixas em relação à ineficiência do serviço e aos elevados preços, o número de usuários de planos de saúde só cresce no DF. Os dados mais atualizados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), de junho último, indicam que 629.362 brasilienses são atendidos pela rede particular, alta acumulada de 6% no ano. O total de usuários de planos odontológicos é ainda maior: 706.161, variação de 69,6% em 2011.

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