Temor de contaminação por bactéria aumenta procura em hospitais da cidade

 

Depois de três mortes confirmadas por contaminação da bactéria Streptococcus pyogenes, os brasilienses preocupados com um possível surto procuraram hospitais públicos e particulares da cidade. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal tentou tranquilizar a população em entrevista coletiva na última sexta-feira, na qual descartou uma epidemia. Classificou as mortes como casos isolados, pois as vítimas não se conheciam nem tinham atividades em comum. Mas, mesmo sem haver motivo para pânico, há quem não se sinta seguro e ainda tenha dúvidas a respeito da ação da bactéria.

Em busca de respostas, a Vigilância Epidemiológica estuda individualmente óbitos recentes em que as vítimas tenham apresentados sintomas parecidos: febre, dor no corpo, dificuldade de respirar ou dores nas juntas. Exames específicos de sangue podem detectar a presença da bactéria e possíveis infecções. As três vítimas são do sexo feminino: duas crianças de 10 anos e uma mulher de 38.

O mal-estar é parecido com o de doenças como a gripe e a dengue. Por isso, centenas de pessoas que se sentiram incomodadas correram para os centros de saúde em busca de ajuda. Em alguns hospitais, não encontraram médicos disponíveis. A dona de casa Magali Sangela, 38 anos, moradora de Samambaia, procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) próxima de casa.

Sem socorro, ela foi ao Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Lá também não conseguiu consulta. Terminou a peregrinação no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Ela sentia dores de cabeça, enjoo e dor no peito. Preocupou-se ao ver na internet notícias sobre a bactéria. “Fiquei muito assustada. As pessoas morreram rápido e ninguém explica do que se trata”, disse.

Antes de levar Victória ao médico, Cássia e Jackson compraram álcool-gel para evitar o contágio no hospital (Bruno Peres/CB/D.A Press) Antes de levar Victória ao médico, Cássia e Jackson compraram álcool-gel para evitar o contágio no hospital

A estudante Núbia Francisca da Silva, 18 anos, moradora do Varjão, passou pelo Hospital do Guará e pelo Regional de Taguatinga (HRT) antes de chegar ao Hran. Esperou durante uma hora até ver o médico. Chegou a desmaiar após vomitar e sentir fortes dores no corpo. “Provavelmente, é só uma gripe forte. Mas, diante das informações sobre essa bactéria, achei melhor prevenir. Falei com o médico, ele me tranquilizou e pediu todos os exames”, relatou, enquanto aguardava os resultados.

Até a tarde de ontem, a chefia de equipe de plantão do Hran não havia recebido nenhuma orientação especial da Secretaria de Saúde para lidar com pacientes que apresentem sintomas. “A contaminação depende muito do sistema imunológico de cada um. Se a pessoa é debilitada, tem maior propensão ao contágio”, explicou o médico e chefe de equipe do Hran, Elizário César Leitão. A Secretaria de Saúde informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que todos os hospitais do DF receberam instruções. Afirmou também que o movimento nos hospitais não aumentou.

O gerente de loja Valder Silva, 23 anos, morador de Taguatinga, seguiu as orientações da Secretaria de Saúde e, ao sentir febre e dores no corpo, procurou atendimento. “Vim ao HRT por causa da bactéria. Corri para o hospital. Vou pedir indicação de remédio para o médico”, disse Valder, que adotou o hábito de lavar as mãos com frequência, por medo de ser contaminado.

A rede particular também recebeu pacientes preocupados com a Streptococcus pyogenes. Jackson Ferreira Barbosa, 34 anos, e Cássia Mara Carvalho da Silva, 35, moradores do Guará, levaram a filha Victória, 2 anos e 7 meses, ao Hospital Santa Lúcia. O médico diagnosticou sinusite. “Fiquei muito preocupada. Antes de vir, compramos álcool-gel, para evitar o contágio dentro do hospital. Se acontece algo com a minha filha, ninguém vai me devolver a vida dela. Então, todo cuidado é pouco”, afirmou Cássia.

Tira-dúvidas 

1 O que é a Streptococcus pyogenes?
É uma bactéria frequentemente encontrada nos seres humanos. Estima-se que entre 5% e 15% dos indivíduos abriguem-na sem manifestar infecções ou sintomas. Entretanto, quando ocorre baixa no sistema imunológico, essa bactéria pode causar diversos tipos de problemas. O mais comum deles é a faringite. O maior risco de morte acontece quando a Streptococcus pyogenes atinge a corrente sanguínea. Nesses casos, as possibilidades de o paciente sofrer um choque séptico (infecção generalizada) são elevadas. O micro-organismo também pode causar meningite, outra doença que mata. Existem outros tipos de Streptococcus, que podem causar doenças diferentes. A maioria das espécies, porém, é inofensiva.

2 Quais os sintomas?
O mal-estar se parece muito com o da gripe e o da dengue. Por isso, é preciso ficar atento. Febre, dores musculares, falta de ar (leve, moderada ou grave), artrite, dores nas articulações, dor de cabeça, lesões na pele (erisipela, celulite, impetigo e fasceíte), diarreia e vômito.

3 Como se dá a transmissão?
A forma mais comum é a transmissão direta (pessoa a pessoa), por meio de saliva ou de gotículas expelidas no ar quando a pessoa infectada fala, tosse ou espirra. O contágio também pode acontecer pelo contato direto com as secreções da pele dos doentes.

4 O que fazer caso os sintomas surjam?
O principal é evitar a automedicação. Caso os sintomas citados se manifestem, procure um hospital. O tratamento sugerido pela Vigilância Epidemiológica é feito à base de penicilina ou antibióticos semelhantes, que devem sempre ser receitados por um médico.

5 Como se prevenir?
» Não há vacina contra a bactéria Streptococcus pyogenes. O ideal é que as pessoas reforcem os cuidados básicos de higiene, como lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar álcool-gel a 70%;
» Os objetos pessoais (anéis, pulseiras, relógios) devem também ser higienizados, pois podem acumular micro-organismos que, em geral, não são removidos durante a lavagem das mãos;
» Quando tossir ou espirrar, a pessoa deve cobrir o nariz e a boca;
» Aconselha-se o uso de lenços descartáveis para higiene nasal;
» Deve-se, ainda, evitar compartilhar objetos pessoais, como copos, talheres e toalhas de banho.

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