Brasil rumo ao socialismo

Fonte http://ailtonreis.blogspot.com/2007/07/brasil-rumo-ao-socialismo.html

PT discute rumos da política continental em encontros camuflados com Chávez, Fidel e até as FARC

Ailton Reis

Com o fim da guerra fria, o mundo pôde respirar em paz. As tensões entre Estados Unidos e União Soviética, que por décadas causaram angústia generalizada, haviam terminado. Para muitos, a dissolução da URSS simbolizaria não apenas o fim do conflito, mas uma espécie de atestado de óbito do pensamento comunista. A história provou o contrário, transcorridos 17 anos após a queda do muro de Berlim, o folhetim revolucionário recuperou sua força, tendo fortes bases na América Latina, Ásia, e em parte da Europa.

Tal ascensão não é fruto do acaso. Na América Latina, onde já se começa a colher os primeiros frutos, a esquerda se organizou para coordenar e unificar forças, viabilizando sua reestruturação.

O Foro de São Paulo

Em 1990, frente ao colapso da União Soviética, o atual presidente Lula e o líder cubano Fidel Castro convocaram partidos e entidades da esquerda latino-americana para uma reunião na cidade de São Paulo. Além do próprio PT e do Partido Comunista de Cuba, atenderam ao chamado diversos partidos e guerrilhas como o Exército de Libertação Nacional (ELN, Colômbia); as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua. O evento, que passou a ser repetido em diversas cidades, recebeu o nome de Foro de São Paulo (primeira cidade a sediá-lo).

O início da década de 90 foi péssimo para a esquerda internacional. O desmoronamento da URSS externou o sucateamento do sistema adotado. O Foro de São Paulo constituiu um instrumento fundamental para a reorganização do movimento comunista, contribuindo para elaboração de metas e ações em comum. As FARC, em saudação que enviou à XIII Reunião do Foro de São Paulo, em El Salvador, salientou a importância do Foro: “…É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano”.

Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT, diz que o Foro de São Paulo tinha como objetivo tático “resistir ao neoliberalismo”. A longo prazo, segundo ele, uma das metas é unificar a América Latina com a construção de uma instituição política supra-continental, com Parlamento e moeda comum.

Quando teve início em 1990, apenas um membro do Foro de São Paulo era chefe de estado, Fidel Castro em Cuba. Atualmente, entre membros e apoiados pelo Foro, existem nove: além de Fidel, há Lula (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua), Rafael Correa (Equador), Tabaré Vazquez (Uruguai), Michele Bachelet (Chile) e Néstor Kirchner (Argentina).

Controvérsias

O PT afirma que as reuniões são apenas foros de debate, não um sistema de coordenação política internacional. Porém, nas declarações emitidas ao fim de cada encontro, são apresentadas inúmeras resoluções, ou seja, decisões de caráter deliberativo, assinadas por todos os membros participantes. Segundo Graça Salgueiro¹, jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista, “o coração e o cérebro do Foro de São Paulo residem no Grupo de Trabalho que se reúne uma ou duas vezes ao ano, com o objetivo de traçar as metas para os encontros anuais do Foro. Essas metas são mais tarde debatidas nos Encontros e de lá saem as resoluções que vão ser postas em prática, em ações coordenadas, por todos os países membros do Foro”.

Alejandro Peña Esclusa², presidente da associação civil venezuelana Fuerza Solidaria, disse que o Foro de São Paulo possui profundas contradições. Segundo ele, o FSP condena “o crime organizado, o terrorismo e o narcotráfico”, porém, omite que entre seus membros fundadores encontra-se as FARC e o ELN, "organizações criminosas e terroristas que se financiam com o narcotráfico e o seqüestro”. Esclusa afirma ainda que o Foro defende a ‘independência e a soberania’ das nações latino-americanas e, ao mesmo tempo, critica ‘a intervenção estrangeira, a subordinação e o colonialismo’ porém, não diz que o “castro-comunismo exporta sua revolução ao resto do continente e influi notavelmente sobre seus aliados”.

Vale acrescentar que, ao mesmo tempo em que deseja a construção de uma “América Latina e caribenha de soberania, democracia e igualdade”, o Foro de São Paulo presta apoio ao regime Cubano e à guinada autoritária de Hugo Chávez na Venezuela.

Negligência ou auto-censura?

Apesar da grande relevância que possui, o evento é pouco divulgado. O assunto é tratado como tabu pela grande mídia e pelo PT. Em 2005, quando a revista Veja publicou a matéria “Os tentáculos das FARC no Brasil”, acusando o PT de ter recebido cinco milhões de dólares para campanha eleitoral proveniente das FARC, o Foro de São Paulo até chegou a ser mencionado, só que indiretamente,“os contatos políticos entre petistas e guerrilheiros das Farc são antigos. Começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim”.

Segundo o presidente da república, é importante manter o FSP longe do domínio púbLico. No discurso que fez em 2005, em virtude das comemorações de 15 anos do Foro de São Paulo, Lula ressaltou que o Foro é um instrumento útil para “conversar sem que parecesse” e sem que as pessoas entendam qualquer interferência política. Exemplificando, ele cita a crise política da Venezuela em 2004, afirmando que graças às relações de Hugo Chávez com o Foro, foi possível chegar a uma solução pacífica, com a elaboração do referendo que consolidou Chávez no governo

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por adrianobombeirodf Postado em Política

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