BOPE – SUES VALORES E POTENCIALIDADES

Hoje o Brasil inteiro e talvez uma parcela razoável do mundo já conheçam o BOPE, o famoso Batalhão de Operações Policiais Especiais do Estado do Rio de Janeiro. Muito antes (tratasse de uma instituição com 33 anos de existência) e muito além das telas de cinema, o BOPE virou lenda por seu histórico de desempenho excepcional em condições de absoluta incerteza e risco, tanto que as melhores equipes de operações especiais do mundo vêm ao Brasil estuda-lo, do mesmo modo que gestores brasileiros vão aos Estados Unidos fazer visitas de aprendizado no Google ou na Zappos.

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Se qualquer força especial já mereceria atenção do universo empresarial por ter de combinar as virtudes da hierarquia convencional, organização, planejamento e foco, com as virtudes da coordenação informal, participação, liberdade de ação e flexibilidade, o BOPE merece em dobro, uma vez que, para conquistar esse equilíbrio, utiliza como premissa o engajamento incondicional, baseado em princípios e valores compartilhados, somados, é claro, a treinamento intensivo -especialmente psicológico-, domínio da técnica e mecanismo de seleção rigoroso. Compreender o êxito do BOPE, portanto, pode servir de inspiração e aprendizado para empresas privadas e é por isso que o estudamos em profundidade nos últimos dez meses.

3 QUESTÕES-CHAVE

ELEMENTOS CENTRAIS DA GESTAO DO BOPE

A competência distintiva nunca nasce ao acaso

Por trás da construção de um padrão de excelência de desempenho, onde quer que seja, sempre há o empenho daqueles que, ao longo do tempo, compreendem que são necessárias tenacidade, perseverança e uma ação orientada por valores.

Não é diferente da formação de equipes de forças policiais especiais, cujas experiências específicas podem nos ajudar a responder, com propriedade, às perguntas-chave da gestão atual das empresas privadas:

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• Como atribuir sentido e significado ao trabalho?

• Como construir excelência operacional diante do risco e da incerteza?

• Como estimular o surgimento das melhores lideranças e equipes?

Os elementos centrais do modelo de gestão do BOPE são liderança (o que remete a doutrina), treinamento e tecnologia, como se vê no quadro da página, sendo que nada disso reside em um contrato formal; são, acima de tudo, uma construção social e simbólica -ou seja, cultural. As respostas 

a essas três questões nos permitem aprofundar esse modelo. clip_image005

CONFIANÇA E ESPÍRITO DE CORPO

Como atribuir sentido e ignificado ao trabalho

Muitos executivos e estudiosos das organizações concordam que as empresas passam por uma profunda crise de motivação e sentido para o trabalho. Atualmente, um dos dilemas mais relevantes na vida corporativa é a construção de vínculos de confiança nas relações de trabalho que se traduzam em cooperação espontânea e motivação, tarefa que costuma ser atribuída aos líderes. Antes de tudo, porém, esse é um dilema da sociedade contemporânea, mais individualista e egoísta, portanto de vínculos mais frágeis (nos contratos em geral: relações de trabalho, casamentos, amizades e relações com estranhos).

A vida moderna trouxe maior independência e isolamento social. No mundo do trabalho, relações menos dependentes eliminaram os acordos bilaterais de lealdade e fidelidade eterna. A perspectiva das relações de curto prazo ameaça o sentimento de responsabilidade pelas tarefas e o comprometimento efetivo com os resultados coletivos, reduzindo, consequentemente, a possibilidade da construção de um padrão de excelência para a entrega de valor. Organizações que conseguem criar forte sentimento de pertencimento e significado para a execução das tarefas ordinárias, conquistando maior devoção dos empregados, adquirem um capital social que é uma precondição fundamental para o surgimento de diferenciais competitivos.

Alguns ensinamentos das equipes de forças especiais, presentes na formação do BOPE, são particularmente úteis às empresas -e a criação dos vínculos de confiança e lealdade como base para a ação coletiva está entre eles.

CONTEXTO CAPACITANTE

Como construir excelência operacional diante do risco e da incerteza

Desde o início dos anos 1970, o BOPE reúne elementos de gestão que possibilitam a criação de um contexto capacitante para a formação da excelência operacional e asseguram sua continuidade. Aqui destacamos sete deles:

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1. Missão – A missão declarada do BOPE é intervir e resolver situações extremas, que ameaçam sair ou estão fora de controle. Nas paredes do comando lê-se: “Missão dada é missão cumprida”, remetendo a um espírito altivo que afirma não haver missão impossível. Seus membros sabem que representam a última instância para solucionar problemas críticos e conflitos entre a sociedade e o crime organizado. Sua missão inclui libertar todos aqueles que se encontram sob a opressão e a ameaça do crime organizado, grupos ilegais e organizações que, pela força, tentam exercer poderes paralelos aos do Estado. O combate em si não é o fim pelo qual vivem os combatentes, mas um meio de cumprir sua missão. É melhor evitar o confronto direto, sempre que possível, mas os combatentes sabem que, acima de tudo, devem libertar os reféns, mesmo sob a ameaça da própria vida.

2. Seleção – O BOPE possui um rígido mecanismo de seleção. Pertencer ao grupo significa necessariamente ter sido aprovado em um dos dois cursos ministrados pela unidade: o de ações táticas, de cinco semanas, oferecido três vezes por ano, e o de operações especiais, de 14 semanas, oferecido uma vez cada dois anos. O objetivo desse rígido processo seletivo é identificar, no grupo de aspirantes, aqueles que possuem as competências para pertencer à equipe. Não basta ter bom preparo físico, boa técnica e bom caráter. Para que o BOPE mantenha seu padrão de excelência, é necessário que os indivíduos selecionados tenham as pré-condições de um combatente: coragem, equilíbrio emocional, constância e força de vontade. Os aprovados que posteriormente não têm bom desempenho são dispensados pelas lideranças ou mesmo pelos próprios pares. Os indivíduos que conseguem entrar no BOPE por outros motivos que não pela vontade de pertencer ao grupo e seguir sua doutrina acabam pedindo para sair, pois não conseguem acompanhar o ritmo das operações e treinamentos.

clip_image0093. Significado – Uma vez que tenha sido do BOPE, o individuo carrega consigo esse senso de pertencimento para sempre. A construção do vínculo de confiança no grupo está fundamentada em um forte significado social que fortalece o sentimento de orgulho de pertencimento, missão pessoal e lealdade. A identidade dos “caveiras”, como são conhecidos os membros do BOPE, baseia-se em anos de combate lado a lado com pessoas que muitas vezes arriscam a própria vida para salvar um companheiro. Logo, o pacto ético é estabelecido sob a premissa de vida e morte. Sabemos pela Antropologia que grupos coesos que se formam com forte identidade coletiva estão sujeitos a uma ameaça externa, e esta nunca deixou de existir para o BOPE. À medida que o crime organizado foi se

transformando e se especializando, também o batalhão cresceu em excelência operacional.

4. Formação de equipes – Um dos valores centrais da organização é o espirito de corpo, pelo qual cada membro sabe que a equipe é formada por indivíduos únicos, mas que a vitória somente é possível por meio do trabalho em equipe. O BOPE não se caracteriza como um grupo composto pela soma de talentos isolados, e sim como um corpo. A excelência está no conjunto. Para tanto, o bem comum tem de prevalecer sobre as ações individuais. Na operação não há espaço para o egoísmo. Cada um deve ter a consciência de que seus atos influenciam fortemente a segurança e o bem-estar da equipe. O bem comum deve estar acima das escolhas pessoais, o que só é possível porque, na prática, todos percebem a importância de ser uma equipe e de agir como tal. O indivíduo que toma decisões por si e testa seus limites além do razoável acaba assumindo riscos de maneira insensata e torna-se um elo fraco, fragilizando toda a equipe.

5. Treinamento – Há uma diferença marcante entre o ritmo do BOPE e o de outras equipes de forças especiais: no BOPE, as operações são muito mais frequentes e intensas do que as de algumas das melhores equipes do mundo. Isso faz com que os combatentes sejam forjados em combate em um período de tempo bem menor. Assim, na Seção de Instrução Especializada do BOPE, pode-se ler a frase: “Treinamento duro, combate fácil”. O treinamento intensivo torna a operação menos arriscada e garante a vitória. Ao longo de seus anos de existência, apesar dos inúmeros combates, o BOPE tem apresentado pouquíssimas baixas. Nele, o treinamento não está relacionado somente à repetição continua de movimentos, mas ao exercício do uso da razão para buscar alternativas possíveis em momentos de alto risco. O medo e o erro são encarados como naturais e inerentes a qualquer ser humano. Negá-los é um grande equívoco e sinal de um estado psicológico inadequado para o combate. Não reconhecer e não saber lidar com o medo e com a possibilidade do erro inviabiliza a construção da excelência operacional. Trabalhar o medo e o erro constitui um treinamento continuo para as operações.

6. Sucessão – Como toda organização militar, a sucessão obedece à hierarquia. No entanto, em equipes de operações especiais, dificilmente alguém consegue assumir o comando com legitimidade apenas por força de um decreto. Em uma organização com cultura coesa e orientada por valores como o BOPE, a legitimidade do comando tem peso motivacional fundamental para a manutenção do comprometimento de seus membros e dos padrões de excelência nas operações. De maneira geral, o comando é dado a quem demonstra disciplina pessoal, autocontrole e liderança em momentos de alto risco. Essas características são adquiridas por aqueles que passaram por várias operações e possuem experiência em combate, tornando-se idealmente líderes e instrutores.clip_image011

PRINCÍPIOS E VALORES

Como estimular o surgimento das melhores lideranças e equipes

O êxito do BOPE não se sustenta apenas na qualidade dos armamentos ou na boa técnica, mas, sobretudo, nos princípios e valores que orientam a ação coletiva ao longo dos anos e coordenam as operações da equipe. São os valores centrais desse grupo, praticados desde sua fundação, na década de 1970, que constroem sua identidade e são transferidos, como um DNA, a cada nova geração, informando-lhe sobre como agir e realizar sua tarefa da melhor maneira sem a necessidade do comando e controle diretos, seja lá quais forem os desafios da operação. Tais valores são:

Agressividade controlada – Esse valor está fundamentado no princípio: “A técnica suplanta a força”, ou seja, o emprego da força é um recurso possível, que deve ser utilizado posteriormente ao uso da razão. A razão tem de operar em primeiro lugar, buscando a melhor resposta de acordo com as circunstâncias presentes.

 

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Controle emocional – Significa manter-se sóbrio e lúcido para tomar decisões, mesmo diante de conflitos e em momentos de extrema agonia. Sobretudo em situações de combate, nas quais companheiros podem ser atingidos gravemente, o combatente deve ficar relativamente calmo para que sua decisão seja o mais assertiva possível, com base nas instruções recebidas. Controle emocional é o indivíduo não permitir que o pânico e o medo o levem a agir de maneira precipitada, colocando em risco sua vida e a de toda a equipe. Para tanto, ele precisa ter uma visão “organizacional” de sua missão. Deve encontra-la, desenvolvê-la e agarrar-se a ela; gerenciar seu tempo; construir consenso, fazendo que sua visão seja aceita pelo grupo; encorajar debates e discussões e não se sentir ameaçado por desacordos e divergências de opinião; tomar decisões claras, para orientar e assegurar a compreensão e não deixar margem para discussões; assumir o comando quando lhe é dado sem vacilar.

Disciplina consciente – Todo combatente sabe que tem de travar uma batalha consigo mesmo e que, para tanto, deve adotar uma disciplina pessoal rígida. Ele aprende que, para atingir a excelência na execução das tarefas, é necessária uma disciplina pessoal que estimule a força de vontade para vencer o desconforto e a tendência ao relaxamento, próprios da natureza humana. Essa disciplina é conquistada no dia a dia. O cuidado com as coisas externas ajuda a construir a disciplina interna.

Muitas vezes, a disciplina consciente é alimentada na realização de tarefas ordinárias que visam o bem comum; a constante limpeza das armas e do batalhão, por exemplo, exercita o espírito de serviço e a humildade necessários para alcançar um nível de consciência superior, ajudando a entender que toda missão exige reflexão e autocontrole. O combatente deve se esforçar para sempre ser tática e tecnicamente proficiente em tudo; saber que desempenhará um papel em condições desfavoráveis; dizer não à complacência; nunca afirmar que ele e sua organização fracassaram porque não fizeram o melhor.

Espírito de corpo – É um valor que vai bem além da formação convencional de uma equipe de trabalho. Revela que a força de um membro nunca estará nele mesmo, mas em seu grupo, e que essa força deve se submeter à razão e à boa técnica. Fundamenta-se na crença de que o BOPE é um lugar em que pessoas diferentes que perseguem os mesmos valores e adotam os mesmos princípios se reúnem para realizar algo maior. Significa que o combatente não constrói absolutamente nada sem uma missão em comum. Ter uma missão em comum, treinar e operar juntos com fortes laços de interdependência é o que constrói a excelência operacional. Mais importantes do que o indivíduo são a missão e as pessoas encarregadas de cumpri-la.

Flexibilidade Esse valor está muito relacionado às questões operacionais. É a capacidade de se adaptar às diferentes nuances da missão a ser cumprida, utilizando para tanto os princípios e técnicas de combate. O combatente não deve adotar modelos de ação repetitivos ou criar “zonas de conforto”, e sim visar a alternância de rotinas, espaços e contextos. Para agir assim, precisa buscar respostas nos princípios para a ação e na boa técnica, não se deixando levar por uma rotina operacional repetitiva, que consome sua energia vital. Tudo o que ele tem a fazer é preparar-se, com sua equipe, para o sucesso da missão e para a sobrevivência.

Honestidade – A mentira, o roubo e o engano são inaceitáveis, porque não condizem com o espírito daqueles que travam o bom combate. Baseado na crença de que um individuo só pode ser honesto com o outro se é honesto consigo mesmo, esse valor opera como um mecanismo interior de segurança. Todo combatente que quer cumprir sua missão com perfeição deve avaliar se está preparado para isso, reconhecendo como se encontra seu estado de espírito, e questionar a necessidade e a validade do risco, propondo alternativas, se necessário. As regras do jogo têm de ser claras. Cada um tem de se responsabilizar por suas ações de acordo com suas posições individuais.

clip_image015Iniciativa – Esse valor significa: manter boa conduta e foco, com atitudes consistentes; nunca ter receio de tomar uma posição moral ou ética sobre algo que crê ser o correto a ser feito; ser proativo para se colocar no lugar e no momento certos; não se omitir; antecipar-se à ação do inimigo e avaliar possíveis movimentos para que a batalha possa ser vencida. A iniciativa diz respeito também à construção do futuro. Partir para a ação é adiantar-se e colocar-se à disposição para agir e projetar um futuro desejado, e isso se consegue com boa técnica.

Lealdade – A lealdade entre os membros do BOPE é um escudo e a principal característica do grupo. Em nossos estudos, as relações de confiança entre pares no BOPE superaram qualquer outra já investigada em uma pesquisa científica. A lealdade de uns para com os outros blinda o grupo contra quaisquer possibilidades de oportunismo. De certa maneira, trata-se da capacidade de reconstruir uma propriedade muito difícil de ser observada hoje e altamente desejável em qualquer grupo social. Há um pacto de lealdade entre os membros do BOPE que protege o grupo e o indivíduo ao mesmo tempo. Esse pacto só é possível porque a conduta de todos é provada constantemente nas operações; baseia-se na escuta e na ajuda a um companheiro, a qualquer momento, na esperança de que líderes e subordinados façam o mesmo.

Perseverança – No comando, significa buscar identificar o “centro de gravidade da organização”, seu ”ponto de equilíbrio”, ou seja, o núcleo que dá à organização a força necessária para atingir suas metas e objetivos. Há um “esforço principal” do líder em comando em nutrir e cuidar desse núcleo permanentemente. Na perspectiva do combatente, esse valor está também relacionado à auto confiança, à certeza de que a rotina disciplinar o orienta para a vitória certa, eliminando ao máximo a possibilidade de derrota. Acima de tudo, baseia-se na crença fundamental de que a missão precisa ser cumprida e que não se deve desanimar diante das vicissitudes e dificuldades impostas, e que o indivíduo é escolhido para cumprir seu papel em certo momento; dependerá dele mesmo estar devidamente preparado para entregar seu melhor.

Versatilidade – No comando, significa observar, escutar e aprender cada vez mais sobre sua organização, aproveitar cada oportunidade que surgir para articular claramente qual é o “esforço principal” e alocar recursos para assegurar seu sucesso. Na perspectiva do combatente, é manter o espírito altivo, ser capaz de transitar por diferentes ambientes e comunicar-se com autoridades, moradores de comunidades e representantes de diversas entidades. O combatente deve representar sua missão e seus princípios onde quer que esteja e seja convidado a estar.

Liderança – Finalmente, no BOPE, a liderança não está necessariamente relacionada ao formalismo da patente militar, mas é reconhecida como uma dimensão que todos devem possuir. Muitas vezes a liderança formal e a informal coexistem em harmonia. Esse equilíbrio é possível nas equipes de operações especiais e raramente encontrado nas convencionais. Surge da consciência coletiva sobre a importância da hierarquia para o sucesso das operações e do acolhimento e admiração das virtudes de cada membro da equipe.

Liderar é influenciar as pessoas de maneira que elas façam aquilo que deve ser feito, cada uma assumindo suas atribuições. No combate, a principal preocupação do combatente é sobreviver para cumprir sua missão. Por isso, o líder em comando não pode estar permanentemente na linha de frente. No entanto, o indivíduo que assume a liderança de uma operação foi formado em combate por bom tempo, e é importante que ele conheça muito bem como a operação ocorre. Uma vez no comando, deve preservar-se para poder tomar decisões livre da pressão imposta pelas circunstâncias extremas da operação, pois suas decisões devem pesar a vida de todo o grupo.

OBJETIVO: A PAZ

Equipes de forças especiais, como as conhecemos hoje, nasceram durante a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de empregar recursos de maneira concentrada, por meio da informação, para alcançar resultados mais significativos que poderiam alterar o curso de uma batalha ou da própria guerra. Com o tempo, especializaram-se segundo os desafios específicos que foram surgindo (antiterrorismo, resgate de reféns, combate em locais de alto risco, antidrogas e outros).

O fato é que os resultados alcançados por elas são surpreendente e consistentemente superiores aos

e seus princípios onde quer que esteja e seja convidado a estar.

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