Não basta ‘curtir’. A onda em 2012 será ganhar dinheiro no Facebook

O comércio nas redes sociais não vai se restringir a empresas e usuários; será crescente o número de negócios de consumidor para consumidor

Beatriz Ferrari

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook: rede toma a dianteira no ‘social commerce’ (Justin Sullivan/Getty Images)

Muita gente já participou de ações de alguma marca nas redes sociais, como concursos culturais, sorteios, estímulo ao uso de aplicativos que permitem customizar um produto, oferecimento de descontos a quem é seguidor da companhia, etc. É que as empresas têm plena consciência do enorme mercado que este ambiente representa. Segundo a IBOPE Nielsen Online, 77,8 milhões de pessoas têm acesso à web no país e mais da metade delas (40,8 milhões de usuários) acessam sites de relacionamento como Facebook, Orkut, Twitter, entre outros*. Todas não só querem ficar em evidência, como testam, cada vez mais, sistemas para fazer negócio nas redes. A grande novidade para 2012, no entanto, é que o usuário progressivamente deve sair da posição meramente receptiva para se tornar uma espécie de ‘microempresário’ virtual. Graças a aplicativos disponíveis no mercado, ganhar dinheiro neste ambiente já é algo possível hoje – e especialistas ouvidos pelo site de VEJA apontam que essa tendência terá maior relevância daqui para frente.

No Twitter, já está consolidada, por exemplo, a prática de recomendação remunerada de conteúdo publicitário. O usuário envia um tweet referendando algum produto ou marca a todos os seus seguidores e recebe por isso. Contudo, é no Facebook que podem ser encontradas as iniciativas mais promissoras. O chamado F-commerce – apelido para o comércio no Facebook – está ganhando força no Brasil graças à facilidade de se montar uma loja virtual na rede. Dentro desta tendência, o movimento que se destaca é o comércio direto de consumidor a consumidor.

Sua própria lojinha – Já é possível montar uma loja virtual dentro do Facebook para vender os próprios produtos. Empresas, como a brasileira Like Store, fornecem as ferramentas para o desenvolvimento do ambiente de compra. O próprio Facebook oferece um aplicativo, chamado Market Place, que funciona mais ou menos como uma página de classificados de jornal: o usuário anuncia a venda de seu celular antigo, de um carro ou pode até mesmo postar uma vaga de emprego. Mas uma tendência que ganha força neste ambiente é a de pessoas usarem a rede para fazer comércio sem que sejam donas do que é vendido. Podem simplesmente ser curadoras comissionadas de produtos comercializados por outras empresas – ganhando um porcentual da venda cada vez que um amigo adquire um produto movido por sua recomendação.

Em agosto, este tipo de iniciativa começou a ser testado no Brasil pela gigante varejista Magazine Luiza. Por meio do aplicativo Magazine Você, a rede permite que o usuário do Facebook escolha até 60 produtos de seu portfólio de mais oito mil itens para montar uma mini loja em seu perfil. Cumprida essa etapa, basta divulgar aos amigos por meio de recomendações e opiniões. Para cada produto vendido, o usuário recebe uma comissão que vai de 2,5% a 4,5%. O aplicativo encontra-se em fase de avaliação e só está liberado para uso de familiares de funcionários da empresa. Ainda assim, nada menos que 800 lojas estão funcionando neste esquema. Cautelosa, a varejista diz que, por enquanto, não há previsão para liberar o programa a todos os clientes e tampouco divulga o faturamento dos novos lojistas.

A brasileira Boo-Box – empresa de tecnologia de publicidade para mídias sociais – começou a desenvolver e testar sistemas que permitem esse tipo de comércio consumidor-consumidor no Facebook. A ideia é estreitar a relação das empresas com seus clientes, agregando a este esforço a inteligência dos usuários da rede. Aquele que é considerado por seus amigos como um especialista em determinado assunto poderá, com o ajuda da Boo-Box, ser comissionado ao vender produtos ou mesmo ser remunerado por realizar comentários, fazer avaliações e tecer sugestões sobre bens e serviços.

No exterior, há também iniciativas interessantes. A americana Converse All Star, por exemplo, testa um aplicativo que transforma o usuário do Facebook num designer da empresa. Com a ajuda do programa, é possível desenhar pares personalizados do famoso tênis para depois vendê-los aos amigos.

Audiência x influência – Recomendação de conteúdo nas redes sociais não é propriamente uma novidade. Na rede de microblogs Twitter, a prática é adotada de forma ampla por donos de perfis com muitos seguidores. A diferença da recomendação comissionada no Facebook é que o tamanho da audiência não importa, mas sim a influência sobre ela. “Se você convence um amigo a comprar um carro, você é mais influente do que quem tem mil seguidores e só os convence a clicar em um link”, diz Marco Gomes, fundador da Boo-Box.

Já está provado por pesquisas que as redes sociais influenciam fortemente a decisão de compra dos consumidores. Um estudo conduzido neste ano pela consultoria de mercado Oh! Panel na América Latina concluiu que 72,8% das pessoas que usam redes sociais confiam mais nas recomendações de colegas do que no parecer de especialistas. Explorar comercialmente essa publicidade natural dos membros dos sites de relacionamento é uma ferramenta que pode se revelar lucrativa tanto para as empresas quanto para as pessoas. Esse novo formato, aliás, amplia ainda mais o alcance do social commerce, já que a curadoria dos amigos na internet está vinculada diretamente ao ambiente de compra e o usuário chancela o produto com muito mais boa vontade. “Em 2012 teremos o Natal das compras dentro das redes sociais”, diz Gabriel Borges, CEO da LikeStore.

*Estatística da IBOPE Nielsen Online refere-se à categoria “comunidades” que engloba redes sociais, blogs, microblogs, bate-papos, fóruns e outros sites de relacionamento.

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E-commerce? Isso é coisa dos anos 90

– só no Brasil, aumentou 40% no último ano. Virou um fenômeno tão extenso que já está se dividindo em subgrupos. No fundo, é tudo o mesmo comércio eletrônico. Mas cada nova letrinha para substituir o “e”, do e-commerce, significa um meio específico – e uma estratégia diferente:

m-commerce
(de mobile)

Você está na sala de espera do dentista e pega o smartphone ou o tablet: vai ver notícias, jogar ou… comprar uma geladeira. Neste caso, a interface tem de ser simples, adequada a um aparelho pequeno.

s-commerce
(de social)
Ler muitos posts no Facebook, no Twitter e no Google+ pode provocar ansiedade, dizem os psicólogos. E para tratar ansiedade, nada como comprar algo. A interface, é claro, tem de ser simpática.

t-commerce
(de tablet ou de TV)
O “t” pode se referir às vendas pelo tablet ou pela TV. O que muda é só o tamanho da tela. Este subgrupo tem de levar em conta que a navegação é via controle remoto, com poucos recursos.

l-commerce
(de location)
Não pense que você circula incógnito. Existe um tipo de comércio que usa a tecnologia de localização, por antena celular ou GPS, para mandar ofertas nos arredores. A regra aqui é ser rápido e sucinto.

f-commerce
(de facebook)
É igualzinho ao s-commerce, mas quem tem mais de 750 milhões de usuários no mundo não merece uma definição própria?

Novos equipamentos monitoram sua vida e saúde 24h

Data eu

Carlos Rydlewski

Se você é do tempo em que se fazia checkup uma vez por ano, ainda não entendeu direito o alcance da expressão “vida digital”. Os aparelhinhos desta página transformam o seu dia a dia em dados. Medem da quantidade de suor à atividade cerebral e transformam as informações em gráficos. Partem do pressuposto de que, se é possível medir, dá para melhorar. Eles formam a base de uma academia 24/7.

O homem que hackeou uma cidade – pelo bem dela

O invasor solitário

O homem que hackeou uma cidade – pelo bem dela

Por Guilherme Felitti

Quando o divórcio afasta seus filhos, alguns pais se deprimem, enquanto outros veem a oportunidade certa para reviver a adolescência. A reação de Chris Groskopf foi um bocado diferente. Logo que seu casamento terminou, ele resolveu hackear a cidade para onde sua ex-mulher levou o filho de ambos. Isto não quer dizer que o programador do jornal Chicago Tribune vá roubar dinheiro ou invadir e-mails da pacata Tyler, com 97 mil habitantes. Chris quer organizar os dados da administração municipal e transformá-los em serviços da web que facilitem a vida do cidadão. Para isso, criou o projeto Hack Tyler. O primeiro serviço é o Tyler on Time: um mapa da cidade mostra as rotas de ônibus com as paradas identificadas e avisa quando o próximo veículo deve passar. O serviço só saiu pela interação entre Chris e a administração pública. Ele reclamou da falta de informações, ela divulgou mapas oficiais de Tyler. Com mais algumas horas de programação (tiradas do seu tempo livre), o serviço de transporte estava pronto para uso no PC, no smartphone ou no tablet. O próximo serviço deverá facilitar a localização de zonas de votação na cidade. A partir de setembro, quando se muda para Tyler, outros órgãos públicos deverão ser “hackeados” em nome da melhoria da cidade. “As pessoas tendem a esperar que o governo produza serviços totalmente prontos e esquecem que devem ser participantes ativos no processo.”

Leia mais sobre Chris em www.theatlantic.com/christopher-groskopf ou www.hacktyler.com