Era sombria

Com o PT no governo por pelo menos mais quatro anos, é certo que o holocausto brasileiro será ainda mais horrendo.

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As mãos sujas de petróleo

Fonte: http://radardamidia.blogspot.com.br

 


A primeira foto que encabeça este post é da época em que Luiz Inácio Lula da Silva, embalado pela farsa das grandes descobertas de petróleo do pré-sal, proclamava a autossuficiência do Brasil em matéria petrolífera, usava e abusava do petróleo como arma publicitária e da Petrobras como máquina para a consecução de seu projeto ideológico de poder.

Suas mãos sujas de petróleo – imitando o gesto do populista Getúlio Vargas – tornaram-se um símbolo da imensa teia de corrupção com que o PT envolveu a empresa, outrora tão prestigiada nacional e internacionalmente por sua competência e eficiência tecnológica.

Na foto seguinte, vemos Lula assentar suas mãos sujas de petróleo no dorso de Dilma Rousseff. O gesto significava a passagem de testemunho à candidata que Lula alçaria ao poder; mas também a continuidade do aparelhamento da Petrobras, que o PT iniciara com o primeiro mandato de Lula.

Aparelhamento da Petrobras pelo PT
O País assiste, nestes dias, estupefato, ao desvelar dos esquemas de corrupção que minaram o prestígio e a credibilidade da Petrobras. No início de 2014 a dívida da Petrobrás elevou-se a 300 bilhões de reais, com negócios desastrosos – para dizer apenas isso – como a compra da refinaria de Pasadena, aprovada por Dilma quando presidia o Conselho de Administração da empresa. A autossuficiência em matéria de petróleo revelou-se uma mentira, já que o déficit da conta petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. Em reportagem, o jornal Financial Times destacou a impressionante queda da Petrobras, que desceu no ranking das maiores empresas do mundo, do 12º para o 120º lugar.

Há onze anos a estrutura da Petrobras está sob controle do partido do governo, o PT. O aparelhamento político da empresa pelo partido e seus aliados de coligação, transformou a Petrobras num instrumento a serviço de um projeto político-ideológico, de conotação socialista e autoritária, lembrando, aliás, muito o modo pelo qual o caudilho Hugo Chávez utilizou a PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.) para o financiamento do seu “socialismo do século XXI”.

Como bem comentou Eliane Cantanhêde, na Folha de S. Paulo (15.abr.2014) “estava demorando, mas um dia ficaria clara uma das heranças malditas de Dilma: Lula tratava estatais e órgãos federais como se fossem dele, do PT e dos aliados” (Quem “fere” as nossas estatais?).

Consórcio criminoso – escândalo explosivo
A Petrobras não apenas financiou projetos do governo petista, mas nela se instalou uma imensa máquina de corrupção, que envolve inexplicados negócios bilionários.

A prisão de Paulo Roberto Costa, ex-executivo mais poderoso da empresa – que dirigiu a área de Abastecimento da Petrobras, o setor perfeito para gerir negócios bilionários – começa a trazer à tona o conteúdo explosivo de um escândalo, com um bilionário esquema de lavagem de dinheiro, que pode deixar o Mensalão para trás.

De acordo com a reportagem da revista Época, assinada por Diego Escosteguy e Marcelo Rocha, Paulo Roberto Costa “era bancado no cargo por um consórcio entre PT, PMDB e PP, com o aval direto do ex-presidente Lula, que o chamava de ´Paulinho´. Paulo Roberto Costa detém muitos dos segredos da República” (Ele não destruiu as provas…, 7.abr.2014).

Segundo as primeiras análises das agendas, planilhas e outros documentos apreendidos com o ex-executivo da Petrobras, “a Polícia Federal descobriu que Paulo Roberto, um doleiro, políticos e prestadores de serviços estão interligados em um consórcio criminoso montado para fraudar contratos na Petrobras, enriquecer seus membros e financiar políticos e partidos” (O objetivo é o caixa dois, Rodrigo Rangel e Hugo Marques, Veja, 16.abr.2014).

Distorções e mentiras
Não é meu objetivo traçar aqui as grandes linhas deste imenso esquema de corrupção.

O que me leva a escrever estas linhas é o impressionante grau de cinismo e o nível de mentiras a que o PT é capaz de submeter o Brasil. Hoje, ao abrir o jornal Folha de S. Paulo, um título choca: Oposição quer destruir Petrobras, diz Dilma.Na cerimônia de entrega dos dois navios petroleiros no porto de Suape (PE), a Presidente afirmou que não assistiria “calada” à campanha negativa contra a Petrobras, classificou as suspeitas como fatos isolados e se disse comprometida a apurar com o máximo rigor as denúncias. A Presidente parece esquecer-se que o governo tenta barrar a todo o custo a CPI da Petrobras; que as denúncias não são contra a Petrobras, mas contra os esquemas corruptos do PT e de seus aliados, enquistados na empresa; e que a Polícia Federal continua a executar dezenas de mandados de prisão.

Uma tal arrogância, um tal desaforo à verdade, fazem recordar as imensas máquinas de propaganda de regimes nazistas ou comunistas, em que a realidade era triturada impiedosamente, à semelhança dos opositores torturados nos campos de concentração.

Rodrigo Constantino escreveu um lúcido artigo no jornal O Globo (15.abr.2014), intitulado A infiltração vermelha na Petrobras, cuja leitura recomendo aos leitores do Radar da Mídia:

  • “A Petrobras, a maior empresa industrial do país, a que detém a maior soma de recursos, a que deveria dispor dos melhores técnicos, encontra-se hoje numa situação lastimável, reduzida à função de órgão atuante na comunização do Brasil. Seus índices técnicos e financeiros são, atualmente, dos mais baixos, e os escândalos se sucedem, sem que o governo se anime a dizer um ‘Basta!’ a esse estado de coisas.

    “O único diretor não comunista, […] foi demitido por pressão dos sindicatos controlados pelos vermelhos. Era o único técnico na diretoria, seus serviços sempre foram considerados valiosíssimos, mas excomungado pelas forças da subversão, que com ele não contam, teve de dar lugar a outro, julgado mais dócil e cooperativo.

    “A diretoria não se reúne, os processos se acumulam, nada se resolve. Ou melhor, só se resolve aquilo que tem sentido político. Paga-se, por exemplo, rapidamente a divulgação de manifestos do CGT, alugam-se veículos para transportar figurantes em comícios políticos, custeia-se com o dinheiro do povo, a campanha de agitação e subversão.

    “Até quando persistirá tal panorama? Quando será a Nação satisfeita pela verificação de que o governo resolveu tomar uma atitude, expulsando da Petrobras aqueles que a transformaram num instrumento de sovietização do país e entregando a companhia a uma direção de técnicos apolíticos, que possam fazê-la progredir?”

    Quem escreveu isso? Seria Jair Bolsonaro acusando o PT de utilizar a Petrobras como instrumento bolivariano? Seria Olavo de Carvalho com alguma “teoria conspiratória” sobre a infiltração comunista na maior empresa do país?

    Nada disso. Trata-se do editorial do GLOBO, publicado em 7 de setembro de 1963, data adequada por representar o Dia da Pátria (espero que o jornal não se arrependa desse editorial também). Era um grito patriótico contra a infiltração comunista na estatal, sob a conivência do presidente João Goulart.

    Reparem como o Brasil parece andar em círculos. Hoje, a Petrobras continua financiando uma “campanha de agitação e subversão”, ao bancar os invasores do MST, por exemplo. Continua aparelhada politicamente, usada por petistas como propriedade particular. Petrodólares usados para disseminar o marxismo, enquanto o endividamento da empresa se avoluma por incompetência ou corrupção.

    Alguns gostam de repetir, com ar de superioridade, que a Guerra Fria acabou, tentando, com isso, pintar anticomunistas como seres ultrapassados, gente parada no tempo. Há só um detalhe: tem que avisar aos próprios comunistas que a Guerra Fria não só acabou, como foi com a derrota dos comunistas!

    Tem uma turma que ainda não sabe disso. E pior: essa turma está no poder! Basta ver a própria Venezuela, mergulhada em uma tragédia justamente porque insistiu no modelo socialista fracassado. Mas não é só lá. Aqui tem um pessoal bolivariano doido para transformar o Brasil em uma nova Cuba, o sonho (pesadelo) perdido na década de 1960. Se a PDVSA foi útil ao projeto de Chávez, a Petrobras é útil aos planos de perpetuação do PT no poder.

    Como evidência de que os comunistas, infelizmente, ainda não desapareceram da cena política nacional, a deputada Luciana Santos, do PCdoB, encaminhou ao Congresso projeto de lei que cria o Fundo de Desenvolvimento da Mídia Independente. Só mesmo um comunista poderia falar em “mídia independente” criando uma total dependência dos recursos estatais!

    Talvez esteja ficando escancarado demais financiar indiretamente a imprensa chapa-branca com recursos das estatais, e os vermelhos, ligados ao governo do PT, pretendam oficializar logo a criação de seu exército de “jornalistas” sustentados por nossos impostos. Essa coisa de imprensa independente é muito chata, fica expondo os infindáveis escândalos da Petrobras…

    Para concluir, o editorial de 1963 diz: “Deveria o presidente João Goulart iniciar pela Petrobras a purificação de seu governo. Afaste, imediatamente, os diretores comunistas, faça voltar os técnicos, ponha a empresa à margem da política, e a decepção que ele vem causando ao povo brasileiro se transformará em novas esperanças. Ao mesmo tempo dará Sua Excelência à Nação — se assim proceder — uma cabal demonstração de seus propósitos, provando que deseja governar afastado dos extremos, cujo facciosismo tantos males vem causando ao Brasil.”

    O presidente não deu ouvidos. Sabemos como tudo acabou, e não foi nada bom. Resta torcer para que dessa vez seja diferente, pois, como dizia o próprio Marx, a história se repete primeiro como tragédia, e depois como farsa.

A VANTAGEM DOS VALORES

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A MISSÃO SUBLlMINAR DAS EMPRESAS O QUE INSPIRAAS EQUIPES, ESCREVE CONSULTOR, CITANDO O BRASIL

clip_image004Não há melhor setor do que o dos esportes para demonstrar que uma liderança inspiradora e valores sustentáveis revelam o melhor das pessoas. No esporte profissional, o objetivo de uma equipe é ser mais forte e veloz que o adversário. Ganha quem superar o oponente e atingir o desempenho máximo. Os treinadores que adotam estratégias transformadoras para triunfar nos jogos oferecem lições muito relevantes, que servem como metáforas para os líderes de negócios que perseguem o crescimento sustentável.

Todo fanático por futebol lembra-se da crise que a Espanha enfrentou depois da derrota contra a Suíça, na primeira rodada da Copa do Mundo de 2010. Como resposta a esse tropeço, o técnico espanhol Vicente Oel Bosque não impôs treinamentos extras, nem castigos. Só manteve uma série de reuniões com o time, nas quais se exaltaram as virtudes do trabalho em equipe e a entrega pessoal em benefício do conjunto. Esse enfoque adotado por Oel Bosque uniu e inspirou seus jogadores e permitiu que a Espanha conquistasse sua primeira Copa do Mundo.

Há pouco tempo, no futebol americano os treinadores atuavam como sargentos. Agora, os com mais sucesso adotam estilos de liderança baseados em valores. Os últimos seis ganhadores do Super Bowl assumiram a linha “conecte e colabore”, que obtém o melhor das pessoas. O objetivo é o mesmo: ganhar, mas eles repensaram a forma de atingir essa meta.

 

clip_image006Os mais exitosos treinadores esportivos perceberam o que muitos no ambiente corporativo estão reconhecendo: em um mundo horizontal, transparente e hiperconectado, a natureza da liderança mudou. As fontes de poder -as informações e as ideias são infinitas. Por exemplo, para que reter informação, se as ferramentas de busca da internet a distribui gratuitamente? Os líderes dinâmicos já não exercem seu poder “sobre” as pessoas, mas sim “com” as pessoas.

COMPORTAMENTO COERENTE

Como fundador e CEO de uma empresa que ajuda outras a desenvolver uma cultura corporativa ética, com frequência comprovo quanto as operações das organizações estão visíveis. Entramos no que chamo de era do comportamento, na qual, com o perdão do trocadilho, a geração de valor -benefício além do custo começa em assumir valores -princípios e companhia. E a nova moeda é a conduta coerente.

Na atual economia do conhecimento, não importa o que uma empresa diz fazer ou representar, mas sim como faz e de que maneira vive os valores que a diferenciam. A forma como se comunica, trabalha, se relaciona com os outros, toma decisões e mantém coerência em suas ações constitui sua fonte duradoura de vantagem competitiva.

Como os líderes alcançam esse patamar ideal? Antes de tudo eles precisam de suas equipes. Existem três formas de fazer uma pessoa atuar: coerção, motivação e inspiração.

· Coerção. Requer investimento em burocracia.

· Motivação. Acaba sendo custosa e implica risco, porque raramente consegue unir os indivíduos em torno de um propósito maior.

· Inspiração. Os líderes inspiradores perseguem um significado que vai além do imediatismo e descobrem que os grandes resultados vêm de funcionários que acreditam não apenas no potencial de sucesso da empresa, mas também no que chamo de sua missão subliminar.

SOUTHWEST, GE, CISCO E A BRASILEIRA CI& T

 
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Quando perguntaram a Herb Kelleher, fundador da Southwest Airlines, se temia perder o controle da organização, ele respondeu: “Nunca tive controle, nem busquei. Se você cria um ambiente no qual as pessoas realmente participam, não precisa ter controle, elas sabem fazer o trabalho”. Sua empresa não deixou de ser rentável desde sua fundação, em 1971.

clip_image010Jeffrey Immelt, CEO da GE, disse que, para ser grandiosa, uma corporação tem de antes ser boa. A liderança inspiradora economiza dinheiro, melhora a produtividade e dá resposta rápida às mudanças. A Ci& T, empresa brasileira de serviços de TI, lançou um programa interno de empreendedorismo, no começo de 2011, e deu a seus colaboradores a liberdade de desenvolver os próprios projetos. A primeira ideia implementada foi trazida pelo CEO da companhia, Marcio Cyrillo: uma aplicação de iPhone para pessoas que praticam corrida.

“EXISTEM TRÊS FORMAS DE FAZER UMA PESSOA ATUAR:

COERÇÃO, MOTIVAÇÃO

E INSPIRAÇÃO. OS LÍDERES INSPIRADORES PERSEGUEM UM SIGNIFICADO QUE VAI ALÉM DO IMEDIATISMO”

O CEO da Cisco, John Charnbers, atribui seu sucesso como líder a sua decisão de adotar uma modalidade de liderança mais colaborativa, que implica “envolver as pessoas na tomada de decisões, escutando suas ideias, encontrando pontos de acordos e atraindo comprometimento da equipe”, explica.

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VALORES DE DOIS TIPOS

Todo comportamento é guiado por valores e há apenas dois tipos:

· os situacionais e

· os sustentáveis.

As relações impulsionadas por valores situacionais envolvem cálculos sobre o que está disponível aqui e agora. Ligam-se a explorar oportunidades no curto prazo e não a viver coerentemente com os princípios que sustentam o sucesso no longo prazo.

Os valores sustentáveis, ao contrário, estão vinculados ao que devemos fazer e não ao que podemos fazer e, em consequência, apoiam as relações ao longo do tempo. Transparência, integridade, honestidade, verdade, responsabilidade compartilhada e esperança são valores que nos conectam profundamente e formam uma fonte de motivação da liderança inspiradora. Elas servem como baluarte contra perdas e danos, enquanto guiam e impulsionam condutas que desencadeiam a inovação e aprofundam as conexões.

Na história recente, várias vezes, temos nos guiado por valores situacionais. O colapso econômico de 2008 ocorreu porque muitas empresas financeiras se mantiveram desconectadas de seus valores fundamentais e de seu pensamento sustentável de longo prazo. Passaram longe da interdependência moral que define o mundo de hoje.

EXEMPLO E RISCO BRASIL

O presidente dos EUA, Barack Obama, descreveu bem a transformação econômica do Brasil, no discurso que fez no Rio de Janeiro em março de 2011. “Durante a última década, o progresso feito pelo povo brasileiro tem inspirado o mundo. Mais da metade deste país é considerada de classe média. Milhões foram libertados da pobreza. Pela primeira vez, há esperança em vez de medo”, disse Obama.

Acredito que a esperança não é apenas um valor sustentável, mas também a mais grandiosa estratégia que a humanidade já conheceu. Inspira-nos a ver o mundo como uma fonte de significado. Sem esperança não pode haver inovação ou prosperidade duráveis. Devido à esperança endêmica, ao crescimento econômico e à quantidade de empresas florescendo, o Brasil tem muito que ensinar às outras nações sobre como alcançar vantagem competitiva com sustentabilidade.

Porém, a não ser que pessoas e organizações mudem a forma de pensar a respeito de como fazer as coisas, corremos o risco de encalhar por anos em um ciclo de crises e nervosismo. Só os valores sustentáveis e a liderança inspiradora nos guiarão por um caminho de progresso duradouro para a humanidade.

A dor indissociável da vida

Fonte: http://maldadedestilada.wordpress.com/2014/03/30/a-dor-indissociavel-da-vida/

sofrimentos-inevitáveisO ser humano nasce sofrendo. Nosso primeiro contato com o mundo é literalmente de chorar. Depois de tantas semanas no aconchego do ventre materno, a entrada no mundo através das mãos do obstetra ou da parteira vem acompanhada de muito esforço, dor, fluidos, sangue, suor e lágrimas; e me perdoem pelo chavão. A dor da mãe, principalmente no caso de parto natural, pode se estender por horas e horas, e é suportável apenas porque existe algo maior, que muitos de nós consideram o maior bem da humanidade, a vida. Digo muitos, e não todos, porque a humanidade já assistiu à ação de lunáticos poderosos que ceifaram milhões de vidas durante sua existência. Mas, no geral, a vida é e continuará sendo o motor maior do ser humano, e a chegada de uma nova vida é um espetáculo que jamais se torna repetitivo.

Mas divaguei… Minha ideia central é a dor, o sofrimento. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, principalmente as mais jovens, a essência da vida não é ser feliz. Quem vive correndo atrás da felicidade, conceito aliás bastante subjetivo e de difícil medida, não se dá conta de uma verdade absoluta, que atinge todas as pessoas deste mundo: só existem duas certezas na vida de um ser humano, a de sofrer, e a de morrer. A nossa natureza má garante a presença da dor em toda a nossa história de vida – por vezes nós a infligimos a nós mesmos, por vezes aos outros. E sobre a morte não há muito o que dizer: ela é implacável e invencível.

É claro que eu não poderia continuar nesta direção sombria, sem mencionar as possibilidades de alegria que nos surgem. Não é porque vivemos com a certeza da dor e da morte que não podemos viver momentos de alegria. Nossa verdadeira humanidade está em agir ativamente para melhorar nossa vida e tornar os momentos de dor e sofrimento menos frequentes e menos intensos, ainda que enfrentemos o limite inexorável do acaso, ou do destino, como alguns acreditam. Ainda assim, está em nossas mãos o poder de lidar com nossos melhores e piores momentos, e usá-los para moldar o nosso caráter e desenvolver as parte altas da alma. Gosto muito de um texto que o Olavo de Carvalho cita em uma das primeiras aulas de seu Seminário de Filosofia. O texto é do filósofo Louis Lavelle. Ele diz:

“Há na vida momentos privilegiados nos quais parece que o universo se ilumina, que nossa vida nos revela sua significação, que nós queremos o destino mesmo que nos coube, como se nós próprios o tivéssemos escolhido. Depois o universo volta a fechar-se: tornamo-nos novamente solitários e miseráveis, já não caminhamos senão tateando por um caminho obscuro onde tudo se torna obstáculo a nossos passos. A sabedoria consiste em conservar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver, em fazer deles a trama da nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual do nosso espírito.”

Eu adoro esse texto, adoro mesmo. Já o li centenas de vezes, e tento aplicá-lo no meu cotidiano, todos os dias. A consciência da falibilidade do ser humano e da necessidade de um aprimoramento pessoal é condição sine qua non para uma sociedade funcional – nenhum grupo de pessoas pode buscar justiça, paz, harmonia, ou qualquer outro valor desejável, sem que seus indivíduos realizem esta busca primeiramente por si mesmos, antes de qualquer tentativa de coletivização. E é neste ponto que colidimos com a ideologia de esquerda, sem nenhuma possibilidade de acordo ou sequer de respeito às suas ideias, que trouxeram as maiores desgraças à humanidade.

Desde que Rousseau removeu a responsabilidade individual pelos males praticados, estabelecendo em sua insanidade que o homem nasce bom, e culpando a sociedade pela degradação moral do indivíduo, os intelectuais de esquerda não fizeram nada além de aprofundar essa mentira e levá-la às piores consequências. Ao negar que o estado natural do homem é a miséria, e que a dor é indissociável da vida, eles propuseram soluções absurdas, baseadas em problemas que não existem. Assim, para explicar o sofrimento, propuseram a luta de classes, como se todo o sofrimento humano viesse somente da diferença de riqueza entre as pessoas. Fosse assim e os ricos seriam os mais felizes do mundo, e os milionários acumulariam rugas de tanto rir; e os pobres se matariam de desgosto, amargurados até os ossos por não possuírem uma casa mais bonita ou um relógio de ouro.

Para combater a dor e o sofrimento propuseram sistemas de governo paternalistas, que tratam a todos como crianças incapazes, prometendo algo que nenhuma pessoa na história da humanidade conseguiu prover a alguém: felicidade. Assumiram assim o monopólio da virtude, tão grande a ponto de serem os verdadeiros arautos da bondade, e enquanto o faziam assassinaram civilizações inteiras. Pagaram a fé dos incautos com a morte, e suas promessas de felicidade terminaram enterradas em valas comuns, junto aos corpos carregados de marcas de tortura e sofrimento. Essa é a história do comunismo, do socialismo, do nazismo, e de todos os movimentos de esquerda que assolaram o mundo.

E é isso que vivemos hoje no Brasil: Lula sempre se colocou como o pai dos pobres, ainda que viva no luxo milionário de sua fortuna. Seus discursos são recheados de alusões à felicidade, ao bem-estar e à alegria, conectando na cabeça dos populares sua pessoa e seu governo às benesses que cada vez mais tiram as responsabilidades individuais dos brasileiros. A eleição de Dilma foi fruto direto e único da capacidade genial – sim, Lula é um gênio no trato com os populares – de convencimento que Lula possui sobre o povo. Ele é a antítese de Lavelle, e se soubesse escrever talvez registrasse estas palavras:

Não busque os momentos privilegiados, pois privilegiados são os burgueses capitalistas dominadores; busque sim o coletivo, o ajuntamento burro, e grite com a massa o bordão que pode salvar sua vida: Lula, meu pai, me ajude!

Tire de uma pessoa a certeza da dor, prometa-a felicidade, e ela não terá mais instrumentos para evoluir. Confronte uma pessoa com a inexorabilidade da dor, desafie-a à superação, convença-a de suas responsabilidades individuais, e pode ser que ela faça o mesmo com alguém. Quando a soma dessas pessoas for superior a das primeiras, poderemos pensar num mundo um pouco melhor. Até lá, teremos que nos contentar com Lulas, Dilmas e companhia. Se isso não é sofrer, não sei mais o que é.

Ter uma atitude positiva diante das adversidades é o melhor caminho para o sucesso na empresa e na vida pessoal

Dez perguntas para Marshall Goldsmith

Ter uma atitude positiva diante das adversidades é o melhor caminho para o sucesso na empresa e na vida pessoal, afirma o especialista americano em gestão Marshall Goldsmith

Por Karla Spotorno

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Como você resolve um problema? Marshall Goldsmith, coach americano de mais de uma centena de presidentes de empresas, diz que há apenas duas formas. Ou você acaba de vez com o problema ou muda sua relação com ele. Reconhecido como um dos mais influentes especialistas em gestão pelo ranking 50 Business Thinkers, da American Management Association, Goldsmith diz que a atitude positiva é a melhor forma de chegar ao sucesso e à felicidade no trabalho e na vida pessoal. O título de seu novo livro, Mojo, é uma expressão que Goldsmith usa para esse espírito positivo, que aumenta a capacidade de lidar com as adversidades. Autor de livros sobre sucessão e liderança, Goldsmith argumenta que identidade e reputação são também cruciais para ter sucesso no trabalho. “As pessoas devem ter claro quem são e o que querem ser e fazer para ser bem-sucedidas” ,

1. O senhor diz que as pessoas têm duas alternativas diante de um problema: mudar a si mesmo ou a situação. Qual é a melhor?_Depende. Muitas vezes mudar a sua atitude perante a empresa ou perante os tomadores de decisão ajuda muito. Mas mudar a si mesmo não é inerentemente melhor ou mais fácil do que mudar a situação. Agora, uma questão é importante. As pessoas precisam aceitar que quem vai tomar decisões é quem tem o poder para isso. E se uma decisão tomada não pode ser alterada, é preciso aceitar esse fato e procurar outras formas de resolver o problema.

2. Que tipo de atitude deve ter alguém que está desestimulado?_As pessoas devem agir como vendedoras. Ou seja, precisam convencer os outros a fazer algo que lhes favoreça, porque também será bom para eles. É como um vendedor numa loja. Quando ele tenta comercializar uma camisa, não fala para o cliente comprar porque dessa forma ele ganhará uma comissão.

3. Em seu novo livro, o senhor descreve quatro fatores essenciais para ser feliz. E um deles é identidade. O que o senhor quis dizer?_As pessoas têm de saber quem são, o que querem ser e o que querem fazer para ser bem-sucedidas e felizes. Estabelecer os critérios mínimos para a felicidade é a melhor forma de verificar o que realmente importa e tem valor na vida. Uma pessoa bem-sucedida é aquela que ocupa a maior parte do seu tempo com atividades que a deixam feliz.

4. O segundo fator é a reputação. Qual a sua sugestão para que herdeiros construam sua reputação dentro da empresa do pai?_Minha sugestão é trabalhar com a mãe ou o pai e aprender quem são as pessoas-chave na empresa para a sucessão. Feito isso, o primeiro passo é começar uma relação pessoal e sincera com essas pessoas. Assim, o herdeiro construirá a sua reputação ao longo do tempo. No meu livro falo isso: construir uma reputação leva tempo, e para isso é preciso trabalhar com as pessoas-chave no negócio.

5. O senhor também diz que realização e aceitação são dois fatores que impactam o profissional e o pessoal._Exatamente. Quando falo sobre realização, discuto o que faço pelo trabalho, mas também o que o trabalho faz por mim. Vamos falar novamente sobre o filho sucessor de um grande líder empresarial. É muito importante que essa pessoa tenha motivação para fazer o trabalho, mas é preciso averiguar também se ela se sente recompensada pelo trabalho e se gosta do que faz. Do contrário, a sucessão não vai dar certo. O outro fator é a aceitação. Em muitos casos, o empreendedor é uma pessoa que gosta de controlar a vida e gosta de fazer as coisas acontecerem. Talvez seu filho ou sua filha não tenham esse espírito. O pai precisa entender essa situação sem ficar desapontado, magoado ou bravo. Ele precisa aceitar que as pessoas são diferentes.

6. Normalmente, o pai é mais exigente com o filho do que com os funcionários. Na sua opinião, esse rigor é necessário e eficiente para a construção da reputação do filho na empresa?_A realidade é a seguinte. O pai ou a mãe são incrivelmente bem-sucedidos. E precisam ter certeza de que estão desenvolvendo um bom sucessor. Assumindo que o pai ou a mãe são os donos do negócio, é a decisão deles que vale. Não precisam justificar para ninguém. Mas se eles não têm todas as ações da empresa, a questão é diferente. Precisam explicar muito bem por que seus filhos serão os sucessores. Nesse caso, as expectativas dos pais serão naturalmente maiores, mas eles não devem exigir que o filho ou a filha sejam melhores que qualquer outra pessoa.

7. O sucesso do filho de um empresário bem-sucedido depende mais do jovem ou do comportamento do pai?_Não se pode dizer que depende apenas de um ou de outro. Pessoas bem-sucedidas gostam de vencer e têm a ideia da aposentadoria como algo muito remoto e indesejado. Ou seja, antes de dar espaço para o sucessor e se aposentar, elas precisam encontrar algo a que se dedicar. Por outro lado, é muito difícil para os filhos sucederem pais extremamente bem-sucedidos e ainda manter a própria identidade. Sempre há um envolvimento emocional muito grande. E quando a sucessão ocorre em uma empresa familiar e pequena, a carga emocional é ainda maior.

8. O que o senhor diria para o pai ou a mãe que deseja preparar seu filho para a vida profissional? Tenha certeza de que seu filho realmente quer implementar aquele projeto de vida. Tenha certeza de que ele não está tomando aquela decisão somente porque está sendo estimulado a isso. A motivação para ser o sucessor do pai ou da mãe tem de partir do próprio filho. O pai tem de desafiá-lo a mostrar que é uma vontade própria, que ele realmente deseja aquilo. E deve compreender que a resposta para esse estímulo pode ser um não.

9. O senhor afirma que o otimismo atrai mais do que o pessimismo. Mas, nas empresas, é muito comum as pessoas não pensarem sempre positivo. Como elas devem se comportar?_Às vezes, as pessoas confundem assertividade com um comportamento no estilo Poliana. Mas é possível ter uma postura muito positiva e ser muito direto ao mesmo tempo. Um exemplo disso é um grande amigo meu, presidente de uma empresa. Apesar de ser sempre muito positivo, ele toma decisões muito difíceis e até polêmicas.

10. O senhor tem um coach que lhe faz algumas perguntas por dia para ajudá-lo a manter-se com esse espírito positivo. Poderia dar um exemplo dessas questões?_No final do dia, a primeira pergunta que você deve responder é quão feliz você foi hoje. As coisas que você fez ao longo do dia fazem sentido para sua vida?

BOPE – SUES VALORES E POTENCIALIDADES

Hoje o Brasil inteiro e talvez uma parcela razoável do mundo já conheçam o BOPE, o famoso Batalhão de Operações Policiais Especiais do Estado do Rio de Janeiro. Muito antes (tratasse de uma instituição com 33 anos de existência) e muito além das telas de cinema, o BOPE virou lenda por seu histórico de desempenho excepcional em condições de absoluta incerteza e risco, tanto que as melhores equipes de operações especiais do mundo vêm ao Brasil estuda-lo, do mesmo modo que gestores brasileiros vão aos Estados Unidos fazer visitas de aprendizado no Google ou na Zappos.

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Se qualquer força especial já mereceria atenção do universo empresarial por ter de combinar as virtudes da hierarquia convencional, organização, planejamento e foco, com as virtudes da coordenação informal, participação, liberdade de ação e flexibilidade, o BOPE merece em dobro, uma vez que, para conquistar esse equilíbrio, utiliza como premissa o engajamento incondicional, baseado em princípios e valores compartilhados, somados, é claro, a treinamento intensivo -especialmente psicológico-, domínio da técnica e mecanismo de seleção rigoroso. Compreender o êxito do BOPE, portanto, pode servir de inspiração e aprendizado para empresas privadas e é por isso que o estudamos em profundidade nos últimos dez meses.

3 QUESTÕES-CHAVE

ELEMENTOS CENTRAIS DA GESTAO DO BOPE

A competência distintiva nunca nasce ao acaso

Por trás da construção de um padrão de excelência de desempenho, onde quer que seja, sempre há o empenho daqueles que, ao longo do tempo, compreendem que são necessárias tenacidade, perseverança e uma ação orientada por valores.

Não é diferente da formação de equipes de forças policiais especiais, cujas experiências específicas podem nos ajudar a responder, com propriedade, às perguntas-chave da gestão atual das empresas privadas:

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• Como atribuir sentido e significado ao trabalho?

• Como construir excelência operacional diante do risco e da incerteza?

• Como estimular o surgimento das melhores lideranças e equipes?

Os elementos centrais do modelo de gestão do BOPE são liderança (o que remete a doutrina), treinamento e tecnologia, como se vê no quadro da página, sendo que nada disso reside em um contrato formal; são, acima de tudo, uma construção social e simbólica -ou seja, cultural. As respostas 

a essas três questões nos permitem aprofundar esse modelo. clip_image005

CONFIANÇA E ESPÍRITO DE CORPO

Como atribuir sentido e ignificado ao trabalho

Muitos executivos e estudiosos das organizações concordam que as empresas passam por uma profunda crise de motivação e sentido para o trabalho. Atualmente, um dos dilemas mais relevantes na vida corporativa é a construção de vínculos de confiança nas relações de trabalho que se traduzam em cooperação espontânea e motivação, tarefa que costuma ser atribuída aos líderes. Antes de tudo, porém, esse é um dilema da sociedade contemporânea, mais individualista e egoísta, portanto de vínculos mais frágeis (nos contratos em geral: relações de trabalho, casamentos, amizades e relações com estranhos).

A vida moderna trouxe maior independência e isolamento social. No mundo do trabalho, relações menos dependentes eliminaram os acordos bilaterais de lealdade e fidelidade eterna. A perspectiva das relações de curto prazo ameaça o sentimento de responsabilidade pelas tarefas e o comprometimento efetivo com os resultados coletivos, reduzindo, consequentemente, a possibilidade da construção de um padrão de excelência para a entrega de valor. Organizações que conseguem criar forte sentimento de pertencimento e significado para a execução das tarefas ordinárias, conquistando maior devoção dos empregados, adquirem um capital social que é uma precondição fundamental para o surgimento de diferenciais competitivos.

Alguns ensinamentos das equipes de forças especiais, presentes na formação do BOPE, são particularmente úteis às empresas -e a criação dos vínculos de confiança e lealdade como base para a ação coletiva está entre eles.

CONTEXTO CAPACITANTE

Como construir excelência operacional diante do risco e da incerteza

Desde o início dos anos 1970, o BOPE reúne elementos de gestão que possibilitam a criação de um contexto capacitante para a formação da excelência operacional e asseguram sua continuidade. Aqui destacamos sete deles:

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1. Missão – A missão declarada do BOPE é intervir e resolver situações extremas, que ameaçam sair ou estão fora de controle. Nas paredes do comando lê-se: “Missão dada é missão cumprida”, remetendo a um espírito altivo que afirma não haver missão impossível. Seus membros sabem que representam a última instância para solucionar problemas críticos e conflitos entre a sociedade e o crime organizado. Sua missão inclui libertar todos aqueles que se encontram sob a opressão e a ameaça do crime organizado, grupos ilegais e organizações que, pela força, tentam exercer poderes paralelos aos do Estado. O combate em si não é o fim pelo qual vivem os combatentes, mas um meio de cumprir sua missão. É melhor evitar o confronto direto, sempre que possível, mas os combatentes sabem que, acima de tudo, devem libertar os reféns, mesmo sob a ameaça da própria vida.

2. Seleção – O BOPE possui um rígido mecanismo de seleção. Pertencer ao grupo significa necessariamente ter sido aprovado em um dos dois cursos ministrados pela unidade: o de ações táticas, de cinco semanas, oferecido três vezes por ano, e o de operações especiais, de 14 semanas, oferecido uma vez cada dois anos. O objetivo desse rígido processo seletivo é identificar, no grupo de aspirantes, aqueles que possuem as competências para pertencer à equipe. Não basta ter bom preparo físico, boa técnica e bom caráter. Para que o BOPE mantenha seu padrão de excelência, é necessário que os indivíduos selecionados tenham as pré-condições de um combatente: coragem, equilíbrio emocional, constância e força de vontade. Os aprovados que posteriormente não têm bom desempenho são dispensados pelas lideranças ou mesmo pelos próprios pares. Os indivíduos que conseguem entrar no BOPE por outros motivos que não pela vontade de pertencer ao grupo e seguir sua doutrina acabam pedindo para sair, pois não conseguem acompanhar o ritmo das operações e treinamentos.

clip_image0093. Significado – Uma vez que tenha sido do BOPE, o individuo carrega consigo esse senso de pertencimento para sempre. A construção do vínculo de confiança no grupo está fundamentada em um forte significado social que fortalece o sentimento de orgulho de pertencimento, missão pessoal e lealdade. A identidade dos “caveiras”, como são conhecidos os membros do BOPE, baseia-se em anos de combate lado a lado com pessoas que muitas vezes arriscam a própria vida para salvar um companheiro. Logo, o pacto ético é estabelecido sob a premissa de vida e morte. Sabemos pela Antropologia que grupos coesos que se formam com forte identidade coletiva estão sujeitos a uma ameaça externa, e esta nunca deixou de existir para o BOPE. À medida que o crime organizado foi se

transformando e se especializando, também o batalhão cresceu em excelência operacional.

4. Formação de equipes – Um dos valores centrais da organização é o espirito de corpo, pelo qual cada membro sabe que a equipe é formada por indivíduos únicos, mas que a vitória somente é possível por meio do trabalho em equipe. O BOPE não se caracteriza como um grupo composto pela soma de talentos isolados, e sim como um corpo. A excelência está no conjunto. Para tanto, o bem comum tem de prevalecer sobre as ações individuais. Na operação não há espaço para o egoísmo. Cada um deve ter a consciência de que seus atos influenciam fortemente a segurança e o bem-estar da equipe. O bem comum deve estar acima das escolhas pessoais, o que só é possível porque, na prática, todos percebem a importância de ser uma equipe e de agir como tal. O indivíduo que toma decisões por si e testa seus limites além do razoável acaba assumindo riscos de maneira insensata e torna-se um elo fraco, fragilizando toda a equipe.

5. Treinamento – Há uma diferença marcante entre o ritmo do BOPE e o de outras equipes de forças especiais: no BOPE, as operações são muito mais frequentes e intensas do que as de algumas das melhores equipes do mundo. Isso faz com que os combatentes sejam forjados em combate em um período de tempo bem menor. Assim, na Seção de Instrução Especializada do BOPE, pode-se ler a frase: “Treinamento duro, combate fácil”. O treinamento intensivo torna a operação menos arriscada e garante a vitória. Ao longo de seus anos de existência, apesar dos inúmeros combates, o BOPE tem apresentado pouquíssimas baixas. Nele, o treinamento não está relacionado somente à repetição continua de movimentos, mas ao exercício do uso da razão para buscar alternativas possíveis em momentos de alto risco. O medo e o erro são encarados como naturais e inerentes a qualquer ser humano. Negá-los é um grande equívoco e sinal de um estado psicológico inadequado para o combate. Não reconhecer e não saber lidar com o medo e com a possibilidade do erro inviabiliza a construção da excelência operacional. Trabalhar o medo e o erro constitui um treinamento continuo para as operações.

6. Sucessão – Como toda organização militar, a sucessão obedece à hierarquia. No entanto, em equipes de operações especiais, dificilmente alguém consegue assumir o comando com legitimidade apenas por força de um decreto. Em uma organização com cultura coesa e orientada por valores como o BOPE, a legitimidade do comando tem peso motivacional fundamental para a manutenção do comprometimento de seus membros e dos padrões de excelência nas operações. De maneira geral, o comando é dado a quem demonstra disciplina pessoal, autocontrole e liderança em momentos de alto risco. Essas características são adquiridas por aqueles que passaram por várias operações e possuem experiência em combate, tornando-se idealmente líderes e instrutores.clip_image011

PRINCÍPIOS E VALORES

Como estimular o surgimento das melhores lideranças e equipes

O êxito do BOPE não se sustenta apenas na qualidade dos armamentos ou na boa técnica, mas, sobretudo, nos princípios e valores que orientam a ação coletiva ao longo dos anos e coordenam as operações da equipe. São os valores centrais desse grupo, praticados desde sua fundação, na década de 1970, que constroem sua identidade e são transferidos, como um DNA, a cada nova geração, informando-lhe sobre como agir e realizar sua tarefa da melhor maneira sem a necessidade do comando e controle diretos, seja lá quais forem os desafios da operação. Tais valores são:

Agressividade controlada – Esse valor está fundamentado no princípio: “A técnica suplanta a força”, ou seja, o emprego da força é um recurso possível, que deve ser utilizado posteriormente ao uso da razão. A razão tem de operar em primeiro lugar, buscando a melhor resposta de acordo com as circunstâncias presentes.

 

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Controle emocional – Significa manter-se sóbrio e lúcido para tomar decisões, mesmo diante de conflitos e em momentos de extrema agonia. Sobretudo em situações de combate, nas quais companheiros podem ser atingidos gravemente, o combatente deve ficar relativamente calmo para que sua decisão seja o mais assertiva possível, com base nas instruções recebidas. Controle emocional é o indivíduo não permitir que o pânico e o medo o levem a agir de maneira precipitada, colocando em risco sua vida e a de toda a equipe. Para tanto, ele precisa ter uma visão “organizacional” de sua missão. Deve encontra-la, desenvolvê-la e agarrar-se a ela; gerenciar seu tempo; construir consenso, fazendo que sua visão seja aceita pelo grupo; encorajar debates e discussões e não se sentir ameaçado por desacordos e divergências de opinião; tomar decisões claras, para orientar e assegurar a compreensão e não deixar margem para discussões; assumir o comando quando lhe é dado sem vacilar.

Disciplina consciente – Todo combatente sabe que tem de travar uma batalha consigo mesmo e que, para tanto, deve adotar uma disciplina pessoal rígida. Ele aprende que, para atingir a excelência na execução das tarefas, é necessária uma disciplina pessoal que estimule a força de vontade para vencer o desconforto e a tendência ao relaxamento, próprios da natureza humana. Essa disciplina é conquistada no dia a dia. O cuidado com as coisas externas ajuda a construir a disciplina interna.

Muitas vezes, a disciplina consciente é alimentada na realização de tarefas ordinárias que visam o bem comum; a constante limpeza das armas e do batalhão, por exemplo, exercita o espírito de serviço e a humildade necessários para alcançar um nível de consciência superior, ajudando a entender que toda missão exige reflexão e autocontrole. O combatente deve se esforçar para sempre ser tática e tecnicamente proficiente em tudo; saber que desempenhará um papel em condições desfavoráveis; dizer não à complacência; nunca afirmar que ele e sua organização fracassaram porque não fizeram o melhor.

Espírito de corpo – É um valor que vai bem além da formação convencional de uma equipe de trabalho. Revela que a força de um membro nunca estará nele mesmo, mas em seu grupo, e que essa força deve se submeter à razão e à boa técnica. Fundamenta-se na crença de que o BOPE é um lugar em que pessoas diferentes que perseguem os mesmos valores e adotam os mesmos princípios se reúnem para realizar algo maior. Significa que o combatente não constrói absolutamente nada sem uma missão em comum. Ter uma missão em comum, treinar e operar juntos com fortes laços de interdependência é o que constrói a excelência operacional. Mais importantes do que o indivíduo são a missão e as pessoas encarregadas de cumpri-la.

Flexibilidade Esse valor está muito relacionado às questões operacionais. É a capacidade de se adaptar às diferentes nuances da missão a ser cumprida, utilizando para tanto os princípios e técnicas de combate. O combatente não deve adotar modelos de ação repetitivos ou criar “zonas de conforto”, e sim visar a alternância de rotinas, espaços e contextos. Para agir assim, precisa buscar respostas nos princípios para a ação e na boa técnica, não se deixando levar por uma rotina operacional repetitiva, que consome sua energia vital. Tudo o que ele tem a fazer é preparar-se, com sua equipe, para o sucesso da missão e para a sobrevivência.

Honestidade – A mentira, o roubo e o engano são inaceitáveis, porque não condizem com o espírito daqueles que travam o bom combate. Baseado na crença de que um individuo só pode ser honesto com o outro se é honesto consigo mesmo, esse valor opera como um mecanismo interior de segurança. Todo combatente que quer cumprir sua missão com perfeição deve avaliar se está preparado para isso, reconhecendo como se encontra seu estado de espírito, e questionar a necessidade e a validade do risco, propondo alternativas, se necessário. As regras do jogo têm de ser claras. Cada um tem de se responsabilizar por suas ações de acordo com suas posições individuais.

clip_image015Iniciativa – Esse valor significa: manter boa conduta e foco, com atitudes consistentes; nunca ter receio de tomar uma posição moral ou ética sobre algo que crê ser o correto a ser feito; ser proativo para se colocar no lugar e no momento certos; não se omitir; antecipar-se à ação do inimigo e avaliar possíveis movimentos para que a batalha possa ser vencida. A iniciativa diz respeito também à construção do futuro. Partir para a ação é adiantar-se e colocar-se à disposição para agir e projetar um futuro desejado, e isso se consegue com boa técnica.

Lealdade – A lealdade entre os membros do BOPE é um escudo e a principal característica do grupo. Em nossos estudos, as relações de confiança entre pares no BOPE superaram qualquer outra já investigada em uma pesquisa científica. A lealdade de uns para com os outros blinda o grupo contra quaisquer possibilidades de oportunismo. De certa maneira, trata-se da capacidade de reconstruir uma propriedade muito difícil de ser observada hoje e altamente desejável em qualquer grupo social. Há um pacto de lealdade entre os membros do BOPE que protege o grupo e o indivíduo ao mesmo tempo. Esse pacto só é possível porque a conduta de todos é provada constantemente nas operações; baseia-se na escuta e na ajuda a um companheiro, a qualquer momento, na esperança de que líderes e subordinados façam o mesmo.

Perseverança – No comando, significa buscar identificar o “centro de gravidade da organização”, seu ”ponto de equilíbrio”, ou seja, o núcleo que dá à organização a força necessária para atingir suas metas e objetivos. Há um “esforço principal” do líder em comando em nutrir e cuidar desse núcleo permanentemente. Na perspectiva do combatente, esse valor está também relacionado à auto confiança, à certeza de que a rotina disciplinar o orienta para a vitória certa, eliminando ao máximo a possibilidade de derrota. Acima de tudo, baseia-se na crença fundamental de que a missão precisa ser cumprida e que não se deve desanimar diante das vicissitudes e dificuldades impostas, e que o indivíduo é escolhido para cumprir seu papel em certo momento; dependerá dele mesmo estar devidamente preparado para entregar seu melhor.

Versatilidade – No comando, significa observar, escutar e aprender cada vez mais sobre sua organização, aproveitar cada oportunidade que surgir para articular claramente qual é o “esforço principal” e alocar recursos para assegurar seu sucesso. Na perspectiva do combatente, é manter o espírito altivo, ser capaz de transitar por diferentes ambientes e comunicar-se com autoridades, moradores de comunidades e representantes de diversas entidades. O combatente deve representar sua missão e seus princípios onde quer que esteja e seja convidado a estar.

Liderança – Finalmente, no BOPE, a liderança não está necessariamente relacionada ao formalismo da patente militar, mas é reconhecida como uma dimensão que todos devem possuir. Muitas vezes a liderança formal e a informal coexistem em harmonia. Esse equilíbrio é possível nas equipes de operações especiais e raramente encontrado nas convencionais. Surge da consciência coletiva sobre a importância da hierarquia para o sucesso das operações e do acolhimento e admiração das virtudes de cada membro da equipe.

Liderar é influenciar as pessoas de maneira que elas façam aquilo que deve ser feito, cada uma assumindo suas atribuições. No combate, a principal preocupação do combatente é sobreviver para cumprir sua missão. Por isso, o líder em comando não pode estar permanentemente na linha de frente. No entanto, o indivíduo que assume a liderança de uma operação foi formado em combate por bom tempo, e é importante que ele conheça muito bem como a operação ocorre. Uma vez no comando, deve preservar-se para poder tomar decisões livre da pressão imposta pelas circunstâncias extremas da operação, pois suas decisões devem pesar a vida de todo o grupo.

OBJETIVO: A PAZ

Equipes de forças especiais, como as conhecemos hoje, nasceram durante a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de empregar recursos de maneira concentrada, por meio da informação, para alcançar resultados mais significativos que poderiam alterar o curso de uma batalha ou da própria guerra. Com o tempo, especializaram-se segundo os desafios específicos que foram surgindo (antiterrorismo, resgate de reféns, combate em locais de alto risco, antidrogas e outros).

O fato é que os resultados alcançados por elas são surpreendente e consistentemente superiores aos

e seus princípios onde quer que esteja e seja convidado a estar.

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6 Fatos que seu Professor Esquerdista não te Contou

Fonte:http://www.porcocapitalista.com.br/2014/01/6-fatos-que-seu-professor-esquerdista.html

1. O comunismo falhou miseravelmente

Estima-se que os regimes comunistas ao longo do século XX tenham matado pelo menos 100 milhões de pessoas em todo mundo. Alguns podem até contestar esse número, mas precisam admitir que é impossível esconder tantas mortes varrendo tudo pra debaixo do tapete. Crimes de tamanhas proporções deixam rastros visíveis demais para serem ignorados.
Este número inclui não só as pessoas que foram mortas pela repressão típica destes regimes totalitários mas também em consequência de suas políticas econômicas desastrosas, tais como os confiscos que resultaram na fome russa de 1921 e no Holodomor ou a coletivização forçada do campo, implementada por Mao Tse Tung que resultou na Grande Fome Chinesa e por sua vez matou cerca de 20 milhões de pessoas.

Alguns regimes foram letais ao extremo. É o caso do Khmer Vermelho no Camboja que conseguiu exterminar nada mais, nada menos que um terço da população do país.
O pior de tudo é que o comunismo acabou desmoronando em todos estes países e seu modelo teve que ser abandonado. Todas estas pessoas morreram em vão. Em nome de um ideal fracassado. O muro de Berlim caiu. A União Soviética não existe mais e a China mergulha de cabeça no capitalismo.
Mas não só o velho comunismo falhou. Os novos modelos de socialismo parecem fadados ao mesmo destino. O assim chamado “socialismo do século XXI” praticado na vizinha Venezuela dá claros sinais de que não poderá se sustentar por muito tempo. O país, mesmo tendo uma das maiores reservas de petróleo do mundo é assolado hoje por escassez de todo tipo de bem imaginável, de energia elétrica à papel higiênico, passando por frango, leite e outros produtos essenciais. Tem uma das taxas de inflação mais altas do mundo e uma taxa de homicídios também entre as mais altas do mundo.
2. A teoria de Marx foi refutada

Karl Marx construiu toda a sua teoria em cima de uma idéia errada herdada dos economistas clássicos: A teoria do Valor Trabalho. Segundo a teoria do Valor Trabalho, o valor real de  uma mercadoria era definido pela quantidade de trabalho investido na sua produção.
Com base nisso, Marx arroga ter descoberto o conceito da Mais Valia que dizia o seguinte: Se a mercadoria vale a quantidade de trabalho investida na sua produção, para que o patrão, que não trabalha diretamente, tenha lucro, ele precisa pagar aos funcionários, um valor menor do que o trabalho que eles investiram na produção da mercadoria. Dessa forma os patrões exploram o proletariado.
Porém Marx estava errado em vários pontos, desde o diagnóstico do problema, até a sua solução. A Teoria do Valor Trabalho foi refutada pela teoria da Utilidade Marginal, desenvolvida simultaneamente por três economistas: Stanley Jevons na Inglaterra, Leon Walras na França e Carl Menger na Áustria. Os três, ao mesmo tempo, em países diferentes e praticamente sem entrar em contato um com o outro, perceberam que o que confere valor a uma mercadoria não é o trabalho, mas a sua utilidade.
Uma mercadoria que exigiu muito trabalho pra ser produzida não terá nenhum valor se não for útil. Portanto, é a utilidade que as pessoas conferem às mercadorias que determina seu valor. Os custos de produção, entre eles o do trabalho, é que precisa se ajustar aos preços de mercado.
Especula-se que este desmascaramento esteja por trás da atitude de Marx de adiar a publicação dos volumes seguintes da sua obra máxima: O Capital, que só foram publicados após sua morte, por Engels.
Outros economistas posteriores como Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek dariam mais detalhes sobre a inviabilidade do socialismo, explicando que dessa forma, a única maneira de medir a utilidade de um produto é através do mecanismo de oferta e demanda do livre mercado.
Se o livre mercado é suprimido, não há o mecanismo de oferta e demanda, se não há livre equilíbrio entre oferta e demanda, a economia se torna um caos. Por isso, abolir o mercado e concentrar as decisões econômicas no estado que tenta calcular o preço das mercadorias com base no trabalho é impossível e tende ao fracasso.

3. As previsões de Marx não se cumpriram até o presente momento

Com base na sua ideia de Mais Valia e de exploração do proletariado, Marx previu que a situação dos trabalhadores iria se deteriorar cada vez mais. Como, segundo Marx, para garantir o lucro do patrão, o valor das mercadorias é vendido sempre acima daquilo que os trabalhadores recebem para produzi-las, o custo de vida destes aumentaria cada vez mais.
Isso iria gerar ciclos econômicos e crises frequentes, com cada nova crise sendo pior que a anterior, até que chegaria o momento em que o capitalismo entraria em total colapso, os trabalhadores se revoltariam, fariam uma revolução e implantariam o socialismo.
Só que nada disso aconteceu. Na verdade aconteceu o exato inverso.
O capitalismo é marcado por crises constantes sim, mas ele sai mais forte de cada uma delas.
A Grande Depressão foi com certeza a maior de todas as crises do capitalismo, mas isso já foi há mais de 80 anos. O capitalismo jamais passou por outra crise semelhante. Desde então é inegável que a qualidade de vida e a economia prosperaram enormemente nos países capitalistas.
Ao contrário do que Marx previra, a qualidade de vida das classes menos favorecidas aumentou e a pobreza extrema está sendo reduzida gradualmente em todo mundo.
Para entender a velocidade desse progresso considere as Metas do Milênio apresentadas em 2000 pela ONU. O objetivo era reduzir pela metade o número de pessoas vivendo com 1 dólar por dia até 2015. Essa meta foi atingida cinco anos mais cedo.
4. A maioria dos países mais pobres do mundo tiveram regimes de inspiração socialista por longos anos

Você já deve ter ouvido falar que a culpa pela fome e pela miséria no mundo é do capitalismo.
Mas o que seu professor esquerdista não te contou é que o socialismo já foi e continua sendo, uma força extremamente influente no mundo. As idéias socialistas não vão contra o Status Quo, ela é parte do Status Quo. Ela é a parte ruim dele diga-se de passagem.
Muitos países que você imagina serem vitimas do capitalismo já tiveram regimes de inspiração socialista. Só no continente africano: Angola, Moçambique, Benin, República do Congo, Etiópia e Somália tiveram suas economias destruídas por regimes comunistas que duraram vários anos e quase todos continuaram tendo economias bastante controladas pelo estado mesmo depois disso.
Seu professor esquerdista também deve ter falado pouco sobre regimes de inspiração socialista na Líbia e no Iêmen. Sobre o partido Baath no Iraque e na Síria. Que países que fizeram parte da União Soviética e que mantiveram um modelo parecido, mesmo com o fim do comunismo, como é o caso do Uzbequistão, tem a maioria da sua população na miséria.
Também não deve ter falado nada sobre como políticas socialistas devastaram o Zimbábue. Nem que a Índia, país que concentra a maioria dos miseráveis do mundo, por quase 40 anos teve uma sucessão de governos populistas, paternalistas, intervencionistas e que se inspiravam na economia soviética. Durante todo este período o país esteve completamente estagnado e só começou a crescer nos anos 90, justamente depois que o governo promoveu amplas reformas liberais, que apesar de tímidas, já conseguiram reduzir drasticamente a miséria no pais.
5. Os países mais liberais estão entre os mais desenvolvidos ou entre os que mais rápido se desenvolvem

Outra coisa que seu professor esquerdista não deve ter te contado, é que todos os países com IDH considerado “muito alto” são, de uma forma ou de outra, capitalistas. Aposto que você não sabia que a Nova Zelândia estava completamente quebrada nos anos 80, mas que depois de uma reforma liberal radical, conseguiu se reerguer e chegar ao posto de 6º melhor IDH do mundo. Que a Alemanha saiu dos destroços da II Guerra Mundial seguindo uma doutrina econômica chamada “ordoliberalismo”. Que os Estados Unidos, 3º melhor IDH do mundo, maior economia do mundo e país mais inovador do mundo em número de patentes, tem a liberdade de mercado e a propriedade privada como parte inseparável da sua história, da sua cultura, das suas instituições e da sua própria identidade nacional.
Não deve saber que a carga tributária da Austrália (2º melhor país pra se viver do mundo) é de apenas 33,2% do PIB, que o Canadá foi considerado o 2º melhor país para se fazer negócios pelo Fórum Econômico Mundial, nem que Hong Kong e Singapura (13º e 18º melhores IDHs respectivamente) eram países miseráveis até bem pouco tempo atrás. Conseguiram chegar ao posto em que estão hoje em menos de 30 anos e são justamente, os dois países mais liberais do mundo.
Nem todo país liberal é desenvolvido, mas com certeza todos eles estão no caminho. Um exemplo é o Panamá, o país da América Central que teve o 8º maior crescimento do PIB em 2012 e que está entre os que mais reduziram a pobreza nos últimos anos, ou o Peru, que apesar de ainda ser bastante pobre, também vem conseguindo reduzir drasticamente a pobreza e teve o maior crescimento do PIB da América do Sul em 2012.

A ameaça eurasianista

As ambições de Putin vão muito além da Ucrânia.

Na medida em que o regime de Putin invade a Ucrânia, tornou-se evidente que uma nova força para o mal emergiu em Moscou. É essencial que os americanos se tornem conscientes da natureza da ameaça.

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Bandeira do partido nacional-bolchevique e a estátua de Lênin.

Putin é descrito às vezes com um revanchista, procurando recriar a União Soviética. Isto é uma simplificação útil, mas não é realmente exata. Putin e muitos da sua gangue podem ter sido comunistas em algum momento, mas eles não o são mais, hoje em dia. Em vez disso, eles adotaram uma nova ideologia política totalitária conhecida como “Eurasianismo”.

As raízes da eurasianismo remontam à interação de emigrantes czaristas com pensadores fascistas nas entre-guerras França e Alemanha. Porém, nos últimos anos, o seu expoente principal tem sido o muito notório e produtivo teórico político Aleksandr Dugin.

Nascido em 1962, Dugin ingressou no Instituto de Aviação de Moscou em 1979, mas foi expulso devido o seu envolvimento com grupos neonazistas místicos. Ele então passou os anos oitenta orbitando ao redor de círculos monarquista e da ala ultra-direita, antes de se unir, por um tempo, ao Partido Comunista da Federação Russa, de Gennady Ziuganov (PCFR, um grupo neo-stalinista parcialmente descendente do anterior partido no poder – Partido Comunista da União Soviética ou PCUS –, mas que não deve ser confundido com ele), após o que Dugin se tornou, em 1994, o fundador e ideólogo eurasianista principal do eurasianista Partido Nacional Bolchevique (PNB).

Cabe recordar que o nazismo era uma abreviação para nacional-socialismo. Portanto, o nacional-bolchevismo se apresenta como uma ideologia que se refere em muito ao nacional-socialismo, da mesma forma que o bolchevismo se realciona ao socialismo. Esta auto-identificação aberta com o nazismo também é mostrada manifestamente na bandeira do Partido Nacional Bolchevique (PNB), que se parece exatamente com uma bandeira nazista, com um fundo vermelho circundando um círculo branco, exceto que a suástica negra no centro é substituída por um martelo e foice pretos.

Dugin se candidatou à Duma na chapa do PNB, em 1995, mas conseguiu somente 1 por cento dos votos. Então, mudando os métodos, ele abandonou o esforço para construir seu próprio partido dissidente e, como alternativa, adotou a estratégia mais produtiva de se tornar o homem de idéias para todos os partidos maiores, incluindo o Rússia Unida de Putin, o CPRF de Ziuganov e ultranacionalista Partido Liberal Democrata da Rússia de Vladimir Jirinovski. Nessa função, ele foi brilhantemente bem sucedido.

A idéia central de eurasianismo de Dugin é que o “liberalismo” (segundo ele, a totalidade do consenso Ocidental) representa um ataque à organização hierárquica tradicional do mundo. Repetindo as idéias dos teóricos nazistas Karl Haushofer, Rudolf Hess, Carl Schmitt e Arthur Moeller van der Bruck, Dugin diz que essa ameaça liberal não é nova, mas é a ideologia do poder marítimo cosmopolita “Atlântico”, que tem conspirado para subverter sociedades terrestres mais conservadoras desde os tempos antigos. Consequentemente, ele escreveu livros nos quais reconstruiu toda a história do mundo como uma batalha contínua entre essas duas facções — de Roma contra Cartago à Rússia contra a “Ordem Atlântica” anglo-saxônica, nos dias de hoje. Se for para Rússia vencer essa luta contra os portadores oceânicos subversivos de tais idéias racistas (porque imposta do exterior), como os direitos humanos, ela deve, por qualquer meio, unir em torno de si todos os poderes continentais — incluindo Alemanha, Europa Central e Oriental, as ex-Repúblicas Soviéticas, Turquia, Irã e Coréia do Sul —, em uma grande União Eurasiana forte o suficiente para derrotar o Ocidente.

De modo a estar bem unida, esta União Eurasiana precisará de uma ideologia definida. E para este fim, Dugin desenvolveu uma nova “Quarta Teoria Política”, combinando todos os pontos mais fortes do comunismo, do nazismo, do ecologismo e do tradicionalismo, permitindo-lhe, assim, apelar aos adeptos de todos esses diversos credos antiliberais. Ele adotaria a oposição do comunismo em face da livre iniciativa. No entanto, ele desistiria do compromisso marxista com o progresso tecnológico (uma idéia derivada do liberalismo), em favor do apelo demagógico do ecologismo para deter o avanço da indústria e da modernidade. Do Tradicionalismo, ele extrai uma justificativa para interromper o pensamento livre. Todo o resto é saído do nazismo, que vai desde teorias legais que justificam o poder estatal ilimitado e a eliminação dos direitos individuais, à necessidade de populações “enraizadas” no solo e a estranhas idéias gnósticas sobre a origem secreta da raça ariana na Pólo Norte.

A devoção aberta ao nazismo, no pensamento de Dugin, é notável. Em seus escritos, ele celebra como uma organização ideal a Waffen SS, assassinos de milhões de russos durante a guerra. Ele também aprova os mais radicais crimes do comunismo, indo tão longe como endossar os terríveis expurgos de 1937, que mataram (entre inúmeros outros cidadãos soviéticos talentosos e leais) quase toda a liderança do Exército Vermelho — algo que, mais tarde, o próprio Stalin reconsiderou.

O que a Rússia precisa, diz Dugin, é de um “fascismo fascista genuíno, verdadeiro, radicalmente revolucionário e consistente”. Por outro lado, “O liberalismo é um mal absoluto… Apenas uma cruzada global contra os EUA, o Ocidente, a globalização e suas expressões político-ideológicas (ou seja, o liberalismo), é capaz de apresentar uma resposta adequada… O império norte-americano deve ser destruído”.

Esta é a ideologia por trás do projeto “União Eurasiana” do governo Putin. Foi para este plano macabro, que ameaça não apenas as expectativas de liberdade na Ucrânia e na Rússia, mas também a paz no mundo, que o ex-presidente ucraniano Victor Yanukovych tentou vender o “seu” país. Foi contra esse plano que os corajosos manifestantes do Maidan se levantaram — com um escandalosamente pequeno apoio do Ocidente — e de alguma forma miraculosa prevaleceram. Mas agora as coisas complicaram. Os ucranianos estão sendo confrontados não com a polícia de choque, mas com divisões russas, subversão e guerra econômica. O país precisa ser estabilizado e defendido. Os ucranianos merecem o nosso total apoio — e não apenas por razões de simpatia para com os que resistem à tirania ou pelo respeito aos corajosos. É do interesse vital da América que a liberdade triunfe na Ucrânia.

Sem a Ucrânia, o projeto fascista da União Eurasiana de Dugin é impossível, e mais cedo ou mais tarde a própria Rússia terá de se juntar ao Ocidente e tornar-se livre, deixando sozinhas algumas desprezadas e condenadas ilhas de tirania ao redor do globo. Mas com a Ucrânia sob seus pés, o projeto dos eurasianistas pode e irá adiante, e uma nova Cortina de Ferro surgirá, aprisionando uma grande parcela da humanidade nas garras de um poder totalitário monstruoso que se tornará o arsenal do mal ao redor do mundo nas décadas vindouras.  Isso significa uma nova Guerra Fria, trilhões de dólares gastos em armas, crescimento acelerado do Estado em nome da segurança nacional,  conflitos repetidos custando milhões de vidas no exterior, e a própria civilização colocada em risco se um único passo em falso no insano e sem-fim jogo das grandes potências precipitar na confrontação travada e carregada da troca termonuclear.

O século XX viu três confrontos entre grandes potências. Dois deles descambaram na guerra total. Tivemos sorte no terceiro. Nós realmente queremos jogar estes dados mais uma vez? Seremos obrigados, a menos que o programa eurasianista seja detido.

As apostas na Ucrânia não poderiam ser maiores.

Publicado no site da National Review Online – http://www.nationalreview.com/article/372353/eurasianist-threat-robert-zubrin

Tradução: Jussara Reis e Clovis Kaminski

A lei suprema da Igreja é a salvação das almas

 

A presença da Igreja no mundo foi a forma querida por Deus para conter o avanço do inferno na Terra

A parusia, dia em que se aguarda a segunda vinda de Jesus à Terra, marca o fim do tempo para o príncipe deste mundo. É a época da história na qual Cristo faz a colheita do trigo, lançando ao fogo as sementes do joio. Deus une-se à humanidade por meio de Seu Corpo Místico, que habita na Igreja Católica[1], “coluna e sustentáculo da verdade” (Cf. Tm 3, 15). Neste dia, céus e terras serão testemunhas da glória do Senhor, entoando cânticos de louvor e adoração até os confins do universo.

Porém, antes que isso aconteça, o homem deve passar ainda pelo tempo da economia sacramental, cuja fonte não se encontra em outro lugar, senão na Igreja [2]. É dela que podemos haurir as graças necessárias para uma vida conforme os planos de Deus. Cristo age em nossa história – perdoando pecados e expulsando demônios – por meio de Sua Esposa. Naturalmente, como nos dias do ministério público de Jesus, a ação de “perdoar e exorcizar”, ao mesmo tempo em que motiva os homens a crer, também impele os “incrédulos” a grasnar contra a Palavra de Deus. Com efeito, do mesmo modo que a multidão se reuniu para suplicar a Cristo que “deixasse aquela região” (Cfr. Mt 8, 34) também nos dias de hoje há quem se reúna para pedir o banimento da Igreja.

Para algumas mentes incautas – e outras não tão incautas assim –, a existência de uma instituição fiel à promessa de Cristo significa o “atraso” da sociedade, um resquício de épocas passadas, das quais deveríamos nos envergonhar. Isso explica o porquê de muitos rasgarem as vestes todas as vezes em que alguma pessoa ousa repetir o que está no Magistério da Igreja, sobretudo em questões controversas, não importando se o que se disse é verdade ou mentira. Para todos os efeitos, o que vem da boca de um católico – no linguajar mundano – é sempre “medieval” ou “obscurantista”. Quando a Organização das Nações Unidas, por exemplo, aproveita-se da chaga da pedofilia para exigir do Papa que ele mude a posição católica quanto ao aborto e ao homossexualismo, ela não está a pregar a defesa das crianças. Muito pelo contrário, seu intuito é precisamente a destruição de tudo o que lembre a presença de Deus, posto que a família – formada necessariamente por um homem, uma mulher e a prole – é o reflexo da Santíssima Trindade. Que isto fique claro: para os arautos do pecado, a existência da Igreja é uma profecia insuportável!

Todavia, a Igreja não é o carrinho de doces da esquina nem o povo é o bicho de estimação, para receber somente afagos e carícias na cabeça. Salus animarum suprema Lexa salvação das almas é a lei suprema da Igreja, dizem os santos padres. Sendo a mãe dos filhos de Deus, é seu dever avivar a consciência dos homens, para que, cientes da necessidade de uma vida santa, vivam conforme as máximas do Evangelho. Quando muitos querem fazer desta vida uma eterna quaresma sem páscoa, faz-se imperioso que os cristãos anunciem a alegria da Boa-Nova, mostrando aos homens deste século que nenhum avanço técnico ou descoberta científica é capaz de trazer a felicidade eterna, tal qual a que nos é ofertada por Deus em Seu Filho Jesus. A alegria, conta-nos G.K. Chesterton, sempre foi a marca registrada do cristão, porque se vive na certeza de um Deus íntimo e pessoal, que se revela a si mesmo e torna “conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina”[3].

A presença da Igreja no mundo, portanto, foi a forma querida por Deus para conter o avanço do inferno na Terra. E é por isso que, quer se queira quer não, ela continuará a “perdoar e exorcizar” as almas dos filhos de Adão.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:
  1. Dominus Iesus, n. 16
  2. Padre Paulo Ricardo, A Economia Sacramental, Catecismo da Igreja Católica, aula 1
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 35

Fonte: http://padrepauloricardo.org/blog/a-lei-suprema-da-igreja-e-a-salvacao-das-almas?utm_content=buffer8cdf2&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

A Igreja Zumbi

Introdução

A Santa Igreja Católica ensina que através do Sacramento do Batismo, somos ingressados na vida sobrenatural da Fé, e consequentemente na comunidade dos Santos, a Igreja de Deus (cf. CIC 1236). Com efeito, foi o próprio Cristo que nos ensinou: “Quem não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5).

Porém, através do pecado somos afastados da vida de Graça, desta vida sobrenatural da Fé. E por esta mesma razão, Nosso Senhor instituiu o Sacramento da Reconciliação, para que através dele possamos voltar à comunidade dos Santos de Deus: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhe serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,22-23).

Quantos católicos realmente se reconciliam com Deus através do Sacramento da Reconciliação? Infelizmente é notório notar que a grande maioria não. Se estão mortos para a vida sobrenatural da Fé, não passam de mortos que acreditam estar vivos.

O Sacramento da Reconciliação

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1446 ensina que: “Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do Batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. E a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de converter-se e de recobrar a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como a segunda tábua (de salvação) depois do naufrágio que é a perda da graça”.

Como dissemos, é através dele que nós pecadores voltamos à vida de Graça no seio do redil do Senhor, que é a Igreja. A Santa Igreja com maternal amor nos lembra de que “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. ‘Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero.” Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado’” (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 982). 

O Cuidado com a nossa vida espiritual

Toda pessoa zelosa cuida bem de seus bens: cuida da manutenção e limpeza de seu carro, cuida da higiene de sua casa, da conservação dos móveis, etc. Porém o nosso o maior tesouro é a nossa alma espiritual e imortal. Por este motivo nos alertou o próprio Senhor: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8,36).

Porém, nem todo pecado nos exclui da vida de Graça. Por isso a Santa Igreja classifica nossas faltas com Deus como graves ou mortais, e cotidianas ou veniais. Sobre isso nos ensina o Catecismo:

§1861 O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.” 

Já sobre o pecado venial: “§1863 O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. ‘Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna.’

Com efeito, ensinou São João Evangelista e Apóstolos que “há pecado que é para a morte […] há pecado que não leva à morte.” (I Jo 5, 16-17). Ora, aqui S. João ensina que há uma classe de pecados que causam a morte espiritual, para a vida de Graça e outra que não.

Embora a Santa Igreja mande confessar nossos pecados graves ou mortais pelo menos uma vez ao ano (1), aquele que não se confessa regularmente (uma vez por mês, por exemplo), é negligente consigo mesmo. Até mesmo os pecados veniais, a Igreja nos recomenda que sejam entregues no confessionário (2).  A confissão regular educa a nossa alma a lutar com mais veemência contra os pecados e nos dá mais consciência deles. De outro modo corremos o sério risco de nos acostumarmos com o pecado, e termos a nossa consciência adormecida, o que seria um grande perigo para a nossa salvação.

Vivos para o pecado, mortos para Deus

Jesus nos ensinou que Ele é a videira e nós os ramos (cf. Jo 15,5). São Paulo já utilizava a figura da Igreja como corpo místico de Cristo, para nos ensinar de uma forma simples, o mistério de que todos os santos estão unidos a Jesus, como os membros fazem parte de um só corpo (cf. 1 Cor 12,12). Com efeito, quando ainda era Saulo de Tarso e perseguia os cristãos, Jesus apareceu e lhe perguntou: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (cf. At 9,4). Mais uma prova da união mística e misteriosa que nós temos com Cristo quando estamos em Estado de Graça.

Entretanto, o pecado grave, embora nos mate para a vida de Graça, não nos separa da Igreja, exceto nos casos de heresia, apostasia e cisma (3). Isto é, continuamos membros da Igreja apesar deles. Os Cristãos que pecam gravemente são como ramos que embora já não tenham a vida de Graça em si, embora secos, ainda estão unidos à videira e só serão separados no dia do Juízo, como nos ensinou o próprio Senhor: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará” (Jo 15,1).

Dito isto, a Igreja possui muitos membros em seu redil que estão mortos espiritualmente. Apesar de estarem vivos para a vida natural, estão mortos para a vida sobrenatural. É o que eu chamo de Igreja Zumbi, uma parcela da Igreja de Deus, formada por verdadeiros mortos-vivos. Iludidos pelos prazeres do mundo, pelas realizações mundanas, têm a falsa impressão de que vivem, mas não passam de almas miseráveis que na maioria das vezes não têm discernimento do estado deplorável em que vivem.

Conclusão

Depois de tudo que dissemos, fica claro que aquele que não confessa seus pecados, está morto para Deus, está excluído para a vida dos Santos de Deus. E aquele que acha que só tem pecados venais, está apenas inconsciente de seu estado de miséria. E ainda que estivesse certo, o próprio catecismo faz um alerta:  “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão.” (CIC, §1863).

Pois, cuidemos de nossa salvação e sejamos vigilantes quanto ao nosso estado de Graça. Que não sejamos orgulhos, mas humildes e conscientes de nossa miséria, para que não sejamos repreendidos pelo Senhor como lemos no livro do Apocalipse: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;  Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” (Apocalipse 3,17-19).

Notas

1  “Conforme mandamento da Igreja, “todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar seus pecados graves, dos quais tem consciência, pelo menos uma vez por ano”. Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental, a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor. As crianças devem confessar-se antes de receber a Primeira Eucaristia” (Catecismo da Igreja Católica,§1457).

2 “Apesar e não ser estritamente necessária, a confissão das faltas cotidianas (pecados veniais) é vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular de nossos pecados veniais nos ajuda a formar a consciência, a lutar contra nossas más tendências, a deixar-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo mais frequentemente, por meio deste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como ele” (Ibidem, §1458).

3 Segundo o Código de Direito Canônico no. 751: “Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do Batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dessa verdade; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.”. Somente estas faltas são causa de excomunhão, isto é, podem fazer um católico deixar de ser membro da Igreja de Cristo.